Rádio Helióplis volta em Maio
Jornalismo feito
pela própria comunidade

A Rádio Popular de Heliópolis voltará a funcionar no dia 1º de Maio, e o evento será assinalado não só com a devida festa comunitária, mas também com a nova fisionomia que a rádio terá, em sua programação e em sua qualidade técnica.

Nessa nova fisionomia, a informação jornalística terá tratamento preferencial. Com esse objetivo, e na condição de parceira da Rádio, a Oboré Projetos Especiais programou e vai realizar, com a colaboração de outros parceiros, um curso de comunicação a que deu o nome de Correspondente da Cidadania, para o qual se inscreveram 53 pessoas. 

Haverá um processo de seleção, para a ocupação das trinta vagas que o curso terá. Mas, como atividade preliminar, todos os 53 inscritos participaram de uma visita de dia inteiro à Universidade de São Paulo, no sábado passado,14 de maio. Foi um dia de aprendizado e exercício de cidadania, a partir da descoberta da importância que uma instituição como a USP tem para a coletividade e da relação que os cidadãos paulistas – portanto, de cada um dos participantes da visita - têm com a sua principal Universidade, mantida pelos contribuintes que pagam ICMS em cada compra que fazem.

O curso terá a coordenação pedagógica da professora Cicília Peruzzo, da Universidade Metodista de São Paulo, e se alongará por dez semanas. com aulas teóricas e atividades práticas, sempre aos sábados. Tem como objetivo capacitar os alunos para lidar com notícia, reportagem, entrevista, agência de notícias, roteiros para a elaboração de programas jornalísticos, trabalho em equipe e outras atividades e formas do agir jornalístico.
A luta pelo direito de dizer


Em reportagem publicada na revista A REDE – Tecnologia para a inclusão social, o jornalista Nelson Breve escreve o seguinte: “De acordo com dados da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), nos últimos cinco anos, foram fechadas, em média, por semana, 50 rádios que não estavam autorizadas a funcionar pelo governo.”
Uma das Comunitárias fechadas em 2006 foi a Rádio Heliópolis, reconhecida e premiada internacionalmente, pela qualidade e importância social dos serviços que presta a uma comunidade calculada em cerca de 130 mil pessoas. Em nome dessa comunidade, a Rádio Heliópolis trava a luta pelo direito à informação, direito que garante a cada cidadão “a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de, procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras” (Art. 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos).
A luta das rádios comunitárias trava-se, porém, em território de complicados confrontos de interesses e conceitos, principalmente entre as rádios comunitárias e as rádios comerciais, que se declaram ameaçadas pela concorrência.
Sob o ponto de vista jurídico, não é uma questão simples. Por isso, e para aclarar e, se for o caso, intensificar o debate, O Xis da Questão anuncia, para a próxima semana, uma reportagem sobre o assunto. Recomenda, entretanto, a leitura, no site da Oboré, do “Compromisso de Honra”, em fase de recolhimento de assinaturas e apoio  de entidades e cidadãos, em favor das Rádios Comunitárias, hoje um símbolo da luta pela Democratização da Comunicação.  Luta essa que, mais concretamente, se direciona para a construção de um Plano Diretor de Radiodifusão Comunitária na Capital de São Paulo, na perspectiva do que já está estabelecido pelo Plano Diretor da Cidade (Lei 13.885), em seu artigo 266.

 

 
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"Todo o homem tem direito à liberdade de opinião e de expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras."
(Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos)