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	<channel>
		<title>|| O XIS DA QUESTÃO :: Blog do Prof. Chaparro ||</title>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/</link>
		<description>Posts</description>
		<language>pt-br</language>
	<item>
		 <title>Giovanna pergunta: vale a pena ser jornalista?</title>
		  <pubDate>24/07/2010</pubDate>
		<description>Vale a pena 
escolher Jornalismo?
Essa a pergunta que 
angustia Giovanna Melo, 
&amp;agrave;s v&amp;eacute;speras de escolher 
uma carreira.
Vamos conversar sobre isso?
As f&amp;eacute;rias de meio do ano esgotam-se em mais alguns dias. E a volta &amp;agrave;s aulas ser&amp;aacute; particularmente emocionante para os alunos que neste semestre concluem o ensinam m&amp;eacute;dio. S&amp;atilde;o milh&amp;otilde;es os jovens brasileiros concluintes do curso secund&amp;aacute;rio que agora entram na reta final da luta pelo sonho de ingressar numa universidade&amp;nbsp; &amp;ndash; e sob intensa press&amp;atilde;o. Muitos deles ainda ter&amp;atilde;o de enfrentar e superar um per&amp;iacute;odo de angustiantes d&amp;uacute;vidas quanto &amp;agrave; escolha a ser feita; e, depois, ter&amp;atilde;o pela frente a dif&amp;iacute;cil competi&amp;ccedil;&amp;atilde;o por uma vaga no ensino superior. 

Foi esse quadro de emo&amp;ccedil;&amp;otilde;es e press&amp;otilde;es que levou a jovem Giovanna Melo a me escrever. Ela &amp;eacute; de S&amp;atilde;o Paulo e estuda no Col&amp;eacute;gio Adventista Ellen G. White.&amp;nbsp;E eu a trago a este Postigo aberto ao Di&amp;aacute;logo. Assim, conversando publicamente com ela, estendo a conversa a tantos outros jovens que, como Giovanna, sonham ser jornalistas, mas hesitam na escolha, tantas ainda s&amp;atilde;o as d&amp;uacute;vidas quanto &amp;agrave; carreira.

Em seu e-mail, Giovanna exp&amp;otilde;e as suas d&amp;uacute;vidas com coragem e precis&amp;atilde;o. E eu lhe pedi licen&amp;ccedil;a para tornar p&amp;uacute;blica a sua consulta porque, neste Postigo aberto, poderei ajudar outros estudantes, sei l&amp;aacute; quantos, que vivem&amp;nbsp;drama semelhante.

Para come&amp;ccedil;o de conversa, Giovanna (e a conversa ter&amp;aacute; de ser longa),vamos ao seu e-mail, que tomo a liberdade de resumir:

Termino este ano o ensino m&amp;eacute;dio, tenho 17 anos, e estou naquela fase de d&amp;uacute;vidas sobre meu futuro. Resolvi olhar alguns sites que falam sobre o curso de Jornalismo e como ser um bom jornalista. E cliquei em um blog onde li uma de suas frases sobre o curso de Jornalismo, e me interessei muito. Adoro ler e escrever, minhas notas em reda&amp;ccedil;&amp;atilde;o s&amp;atilde;o as melhores, al&amp;eacute;m de ser do signo de g&amp;ecirc;meos, que tem como caracter&amp;iacute;stica a comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Minhas d&amp;uacute;vidas s&amp;atilde;o: - Como me destacar na &amp;aacute;rea do Jornalismo? Como conseguir ter uma estabilidade financeira nessa profiss&amp;atilde;o? Ser&amp;aacute; que eu nasci para ser jornalista?

&amp;Agrave;s duas primeiras perguntas, &amp;eacute; f&amp;aacute;cil responder, Giovanna: para conquistar sucesso e dinheiro na profiss&amp;atilde;o, &amp;eacute; preciso ser bom jornalista. Mas voc&amp;ecirc; comete um equ&amp;iacute;voco ao atribuir tanta import&amp;acirc;ncia &amp;agrave; estabilidade financeira e ao seu sucesso pessoal. Na sua idade, quando o que mais importa &amp;eacute; definir um ideal que d&amp;ecirc; rumo &amp;eacute;tico &amp;agrave; vida, ganhar dinheiro e conquistar prest&amp;iacute;gio n&amp;atilde;o devem ser objetivos priorit&amp;aacute;rios. A estabilidade financeira e o sucesso vir&amp;atilde;o, mas por decorr&amp;ecirc;ncia da qualidade das suas escolhas e da sua entrega &amp;agrave; profiss&amp;atilde;o escolhida.&amp;nbsp; 

Portanto, Giovanna, a pergunta essencial &amp;eacute; a terceira: Ser&amp;aacute; que eu nasci para ser uma jornalista?

Como&amp;nbsp;est&amp;aacute; dito&amp;nbsp;no seu e-mail, Giovanna, s&amp;oacute; voc&amp;ecirc; poder&amp;aacute; encontrar a resposta. Mas, para ajud&amp;aacute;-la, proponho que passemos primeiro por duas outras quest&amp;otilde;es, estas, sim, decisivas para uma escolha l&amp;uacute;cida:

- O que &amp;eacute; Jornalismo?
- O que &amp;eacute; ser jornalista?

N&amp;atilde;o s&amp;atilde;o quest&amp;otilde;es f&amp;aacute;ceis. No plano da experi&amp;ecirc;ncia, da viv&amp;ecirc;ncia pr&amp;aacute;tica, todos sabemos o que &amp;eacute; Jornalismo e o que &amp;eacute; ser jornalista. Afinal, lemos jornais, assistimos telejornais e nos beneficiamos diariamente do trabalho dos jornalistas, que nos informam e explicam os fatos da atualidade que nos interessam. &amp;Eacute; essa informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o sobre a atualidade que nos ajuda a organizar as nossas rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es com o mundo circundante &amp;ndash; e, de alguma forma, j&amp;aacute; come&amp;ccedil;amos a responder &amp;agrave;s duas perguntas preliminares.&amp;nbsp; 

O Jornalismo &amp;eacute;, portanto, atividade essencial na sociedade moderna. Para&amp;nbsp;o Jornalismo&amp;nbsp;convergem, e por ele se socializam, as informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es, as emo&amp;ccedil;&amp;otilde;es, os saberes, os conflitos, as expectativas, as notoriedades e os mitos do tempo presente que interessam &amp;agrave; vida e &amp;agrave; sobreviv&amp;ecirc;ncia das pessoas. 

A din&amp;acirc;mica social &amp;eacute; uma articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o complexa entre sujeitos sociais organizados &amp;ndash; por exemplo, empresas, associa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de todos os tipos, partidos pol&amp;iacute;ticos, igrejas, grupos culturais, grupos transgressores, organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es governamentais e n&amp;atilde;o governamentais, sindicatos etc., etc.. Esses sujeitos sociais organizados det&amp;ecirc;m e exercem poderes pr&amp;oacute;prios, nas esferas das rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es sociais em que existem e atuam. 

Neste nosso mundo atual, nutrido e movido a informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e a conhecimento, o poder dos sujeitos sociais organizados manifesta-se, principalmente, pelos acontecimentos (fatos, falas e saberes) notici&amp;aacute;veis que cada um deles produz, nos cen&amp;aacute;rios de conflito em que agem &amp;ndash; cen&amp;aacute;rios e conflitos pol&amp;iacute;ticos, culturais, econ&amp;ocirc;micos, religiosos, acad&amp;ecirc;micos, cient&amp;iacute;ficos, ambientais, tecnol&amp;oacute;gicos, esportivos, militares, geogr&amp;aacute;ficos etc.. E &amp;eacute; no Jornalismo, em suas aptid&amp;otilde;es de linguagem confi&amp;aacute;vel, veraz, e no seu poder de difus&amp;atilde;o, que se concentram, hoje, as possibilidades mais amplas e eficazes de os sujeitos sociais organizados realizarem com sucesso interven&amp;ccedil;&amp;otilde;es transformadoras na realidade. S&amp;atilde;o eles os protagonistas da narra&amp;ccedil;&amp;atilde;o jornal&amp;iacute;stica, cabendo ao jornalista o papel de narrador comprometido com a veracidade dos seus relatos e com as raz&amp;otilde;es &amp;eacute;ticas da sociedade.

Podemos at&amp;eacute; dizer, Giovanna, que est&amp;aacute; na NOT&amp;Iacute;CIA a energia vital que move este nosso mundo globalizado pelas tecnologias de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&amp;nbsp; 

No mundo informacional, movido a informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e a conhecimento, n&amp;atilde;o est&amp;aacute; na materialidade dos acontecimentos o poder que transforma ou pode transformar as rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es sociais e a vida das pessoas. O poder transformador&amp;nbsp; que produz a cont&amp;iacute;nua reelabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o do presente est&amp;aacute; nos conflitos que o vigor da difus&amp;atilde;o noticiosa faz aflorar.&amp;nbsp; 

Esse &amp;eacute;, a meu ver,&amp;nbsp;o papel do Jornalismo, nas suas aptid&amp;otilde;es de linguagem narradora e argumentadora: relatar, valorar e difundir os fatos da atualidade, n&amp;atilde;o pelo que s&amp;atilde;o, mas pelo que significam. E ao atribuir valor e significado aos fatos e &amp;agrave;s falas dos respectivos protagonistas, o Jornalismo d&amp;aacute; express&amp;atilde;o p&amp;uacute;blica ao agir discursivo dos sujeitos sociais, em seus movimentos, convergentes ou divergentes, de afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o e/ou defesa de ideais, interesses e projetos. Nesses movimentos dos sujeitos sociais, e em suas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es, luta-se por poder, dinheiro, espa&amp;ccedil;o, prest&amp;iacute;gio, mercados, id&amp;eacute;ias, bens e mentes. H&amp;aacute; os que lutam para que as coisas mudem, e os que lutam para que as coisas n&amp;atilde;o mudem &amp;ndash; e tudo converge para o espa&amp;ccedil;o e a efic&amp;aacute;cia socializadora da Not&amp;iacute;cia.

Da&amp;iacute;, a import&amp;acirc;ncia do Jornalismo, como linguagem narradora socialmente confi&amp;aacute;vel e espa&amp;ccedil;o p&amp;uacute;blico dos conflitos que interessam &amp;agrave; idealiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute;tica das rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es sociais. 

Por decorr&amp;ecirc;ncia, Giovanna, o&amp;nbsp;jornalista deve ser um profissional t&amp;atilde;o competente no dom&amp;iacute;nio das t&amp;eacute;cnicas jornal&amp;iacute;sticas de narrar e argumentar, quanto fiel &amp;agrave;s raz&amp;otilde;es de ser da sua atividade, que v&amp;ecirc;m a ser as raz&amp;otilde;es &amp;eacute;ticas da pr&amp;oacute;pria Sociedade. Com o dever muito particular de jamais usar as artes e o poder de convencimento da profiss&amp;atilde;o para enganar os outros &amp;ndash; e a isso eu chamo de honestidade intelectual.

Para encerrar, Giovanna, e acreditando que Jornalismo ser&amp;aacute; a sua escolha, deixo-lhe aqui a recomenda&amp;ccedil;&amp;atilde;o de n&amp;atilde;o ingressar na Universidade sem antes ler dois documentos, aqui j&amp;aacute; &amp;ldquo;linkados&amp;rdquo;: a Declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o Universal dos Direitos Humanos e a proposta de Novas Diretrizes Curriculares para o Curso de Jornalismo (elaborada por uma comiss&amp;atilde;o de especialistas presidida pelo professor Jos&amp;eacute; Marques de Melo). 

S&amp;atilde;o leituras que a ajudar&amp;atilde;o a compreender e a assumir o Jornalismo como ideal e profiss&amp;atilde;o.

Votos de boa escolha! E de boa sorte!

Carlos Chaparro</description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=444</link>
	</item>
	<item>
		 <title>21-07-10 - Jornalismo e a vertente latrinária</title>
		  <pubDate>21/07/2010</pubDate>
		<description>DESTAQUE
Antes do vestibular, n&amp;atilde;o deixe de ler, no &amp;quot;Postigo do Di&amp;aacute;logo&amp;quot;, a conversa com a estudante Giovanna Melo, sobre a seguinte quest&amp;atilde;o: Vale a pena escolher Jornalismo?
&amp;nbsp;=========================================
Jornalismo tem o dever&amp;nbsp;
de elevar o n&amp;iacute;vel
do debate eleitoral
No &amp;ldquo;Recorte&amp;rdquo; anterior (ver na pasta &amp;ldquo;Recorte do Dia&amp;rdquo;), postado dia 19, a id&amp;eacute;ia do texto era a mesma, mas o t&amp;iacute;tulo direcionava a cr&amp;iacute;tica diretamente &amp;agrave; Folha de S. Paulo. Na edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o daquele dia, o jornal dos Frias (e o dos Mesquitas frequenta a mesma trilha...) concedera a manchete da primeira p&amp;aacute;gina&amp;nbsp; a uma frase de efeito dita pelo presidente do PT, dessas que chefes e chefetes das campanhas partid&amp;aacute;rias disparam por a&amp;iacute;, para alimentar aquilo a que chamo de &amp;ldquo;vertente latrin&amp;aacute;ria do debate eleitoral&amp;rdquo;. E que a Folha tratou como o principal assunto do dia.

Escrevi, ao encerrar o coment&amp;aacute;rio do dia 19:

Ao optarem pela mediocridade latrin&amp;aacute;ria do debate eleitoral, os editores da primeira p&amp;aacute;gina da Folha agregaram a essa vertente a sua pr&amp;oacute;pria mediocridade jornal&amp;iacute;stica. Sempre que agem assim, levam o jornal a renunciar &amp;agrave; grandeza da contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o que o jornalismo s&amp;eacute;rio, &amp;eacute;tico, deveria dar ao aperfei&amp;ccedil;oamento democr&amp;aacute;tico, no momento em que o grande tema nacional &amp;eacute; o do processo eleitoral pelo qual a Na&amp;ccedil;&amp;atilde;o escolher&amp;aacute; quem a governar&amp;aacute; nos pr&amp;oacute;ximos quatros anos. 
Das duas uma: ou a dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Folha de S. Paulo muda os crit&amp;eacute;rios com que trata as escolhas editoriais da sua primeira p&amp;aacute;gina, ou elimina o lema &amp;ldquo;UM JORNAL A SERVI&amp;Ccedil;O DO BRASIL&amp;rdquo;, que no alto da capa aparece colado ao seu logotipo.

N&amp;atilde;o tenho,&amp;nbsp;jamais terei, a pretens&amp;atilde;o de ser lido por quem d&amp;aacute; as ordens na Folha de S. Paulo. Mas, por outras vias e decorr&amp;ecirc;ncias, a Folha parece ter sido motivada (e o Estad&amp;atilde;o tamb&amp;eacute;m) &amp;agrave; revis&amp;atilde;o de crit&amp;eacute;rios na cobertura que fazia &amp;agrave;s elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Emite sinais disso na primeira p&amp;aacute;gina da edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de hoje (quarta-feira). &amp;Eacute; uma capa (s&amp;iacute;ntese da edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o) que anuncia afastamento radical da tal vertente latrin&amp;aacute;ria pela qual escorre a mediocridade pol&amp;iacute;tica das frases de efeito, sopradas a jornalistas por chefes e chefetes partid&amp;aacute;rios &amp;ndash; t&amp;atilde;o med&amp;iacute;ocres quanto o jogo marqueteiro da intriga que adoram fazer. 

Nos tempos atuais, as frases da intriga pol&amp;iacute;tica correm principalmente pela difus&amp;atilde;o f&amp;aacute;cil do TWITTER, que virou fonte da qual os pauteiros da pol&amp;iacute;tica n&amp;atilde;o desgrudam. 

O que n&amp;atilde;o poderia nem deveria acontecer &amp;eacute; a ades&amp;atilde;o pregui&amp;ccedil;osa e oportunista do jornalismo &amp;agrave; baixaria e &amp;agrave; mediocridade desse jogo. Pois &amp;eacute; isso que as reda&amp;ccedil;&amp;otilde;es fazem, quando simplesmente acolhem e espalham, sem qualquer valora&amp;ccedil;&amp;atilde;o cr&amp;iacute;tica, a intriga pol&amp;iacute;tica nutrida pela mediocridade dos chefes e chefetes das campanhas partid&amp;aacute;rias.&amp;nbsp; 

E j&amp;aacute; que das campanhas partid&amp;aacute;rias quase nada brota al&amp;eacute;m da baixaria e da vulgaridade, &amp;eacute; urgente que a cobertura jornal&amp;iacute;stica da campanha eleve o n&amp;iacute;vel da discuss&amp;atilde;o eleitoral. 

Em favor disso, recomendo a leitura do jornalista e consultor Gaud&amp;ecirc;ncio Torquato, que semanalmente assina a coluna &amp;ldquo;Porandubas&amp;rdquo;, no site Migalhas. Esta semana, na cr&amp;iacute;tica que faz &amp;agrave; indig&amp;ecirc;ncia dos conte&amp;uacute;dos partid&amp;aacute;rios desta campanha, escreve Torquato (pequeno trecho que fa&amp;ccedil;o quest&amp;atilde;o de transcrever):

&amp;quot;A essa altura, n&amp;atilde;o se distinguem os grandes eixos tem&amp;aacute;ticos da campanha. Os candidatos falam de tudo e de todos, mas as ideias centrais parecem escamoteadas. Quais os cinco pontos principais defendidos, por exemplo, por Serra e por Dilma? Quais os aspectos semelhantes? Quais as &amp;ecirc;nfases na &amp;aacute;rea econ&amp;ocirc;mica e na fronteira social? Estamos a contemplar uma parede de mosaicos, onde cada mosaico, ao lado do outro, tem uma cor diferente. N&amp;atilde;o sabemos qual a parte mais importante da parede, o lado que chama mais a aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&amp;quot;

Eis a&amp;iacute;, na s&amp;iacute;ntese de tr&amp;ecirc;s perguntas, um &amp;oacute;timo ponto de partida para pautas jornal&amp;iacute;sticas que poderiam efetivamente contribuir para elevar o n&amp;iacute;vel da&amp;nbsp; discuss&amp;atilde;o eleitoral de melhor n&amp;iacute;vel e da elucida&amp;ccedil;&amp;atilde;o cr&amp;iacute;tica dos eleitores.

_________________________________________

* Leia os &amp;ldquo;Recortes&amp;rdquo; anteriores</description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=443</link>
	</item>
	<item>
		 <title>20-07-2010 - Vertente latrinária</title>
		  <pubDate>19/07/2010</pubDate>
		<description>Folha de S. Paulo cai
na vertente latrin&amp;aacute;ria 
do debate eleitoral
Com a oficializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o das candidaturas e o in&amp;iacute;cio da gastan&amp;ccedil;a de milh&amp;otilde;es de reais em campanhas de ca&amp;ccedil;a ao voto, o eleitorado come&amp;ccedil;ou a ser submetido ao massacre de a&amp;ccedil;&amp;otilde;es de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de todos os tipos e por todos os meios. Assiste-se, de novo, ao quase sempre imoral uso marqueteiro da linguagem jornal&amp;iacute;stica, para fins que t&amp;ecirc;m muito mais a ver com a manipula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de mentes do que com a informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o.

Com raras exce&amp;ccedil;&amp;otilde;es (se &amp;eacute; que exce&amp;ccedil;&amp;otilde;es existem neste caso), as campanhas eleitorais fazem uma enganadora mistura de linguagens, dando embalagem de jornalismo a&amp;nbsp;a&amp;ccedil;&amp;otilde;es propagand&amp;iacute;sticos, frequentemente em forma de frases de impacto, de oportunismo safado. E a imprensa, lamentavelmente, aceita entrar nesse jogo mesquinho de miudezas desprez&amp;iacute;veis, colocando suas primeiras p&amp;aacute;ginas a servi&amp;ccedil;o da mediocridade do debate eleitoral. 

Hoje (19 de julho), por exemplo, os respons&amp;aacute;veis pelas escolhas do notici&amp;aacute;rio de capa da Folha de S. Paulo decidiram que o assunto mais importante da pauta do dia era uma frase do presidente do PT, Jos&amp;eacute; Eduardo Dutra, classificando de &amp;ldquo;med&amp;iacute;ocre&amp;rdquo; o deputado &amp;Iacute;ndio da Costa, o surpreendente vice de Serra, que na v&amp;eacute;spera cometera o enorme despaut&amp;eacute;rio de ligar o PT ao narcotr&amp;aacute;fico. 

Dutra retrucou com uma das tais frases t&amp;aacute;ticas ditas para jornalista ouvir. E a Folha fez da frase a sua manchete do dia &amp;ndash; esta: &amp;ldquo;Presidente do PT afirma que vice de Serra &amp;eacute; med&amp;iacute;ocre&amp;rdquo;

Ao optarem pela mediocridade latrin&amp;aacute;ria do debate eleitoral, os editores da primeira p&amp;aacute;gina da Folha agregaram a essa vertente a sua pr&amp;oacute;pria mediocridade jornal&amp;iacute;stica. Sempre que agem assim, levam o jornal a renunciar &amp;agrave; grandeza da contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o que o jornalismo s&amp;eacute;rio, &amp;eacute;tico, deveria dar ao aperfei&amp;ccedil;oamento democr&amp;aacute;tico, no momento em que o grande tema nacional &amp;eacute; o do processo eleitoral pelo qual a Na&amp;ccedil;&amp;atilde;o escolher&amp;aacute; quem a governar&amp;aacute; nos pr&amp;oacute;ximos quatros anos. 

Das duas uma: ou a dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Folha de S. Paulo&amp;nbsp;muda os crit&amp;eacute;rios com que trata as escolhas editoriais da sua primeira p&amp;aacute;gina, ou elimina o lema &amp;ldquo;UM JORNAL A SERVI&amp;Ccedil;O DO BRASIL&amp;rdquo;, que no alto da capa aparece colado ao seu logotipo.
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* Leia os &amp;ldquo;Recortes&amp;rdquo; anteriores</description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=442</link>
	</item>
	<item>
		 <title>Láurea internacional para Ricardo Viveiros</title>
		  <pubDate>16/07/2010</pubDate>
		<description>L&amp;aacute;urea internacional
para Ricardo Viveiros 
O jornalista e escritor Ricardo Viveiros conquistou o Pr&amp;ecirc;mio Benjam&amp;iacute;n Hurtado Echeverria, institu&amp;iacute;do em 2001 pela Confedera&amp;ccedil;&amp;atilde;o Latino-americana da Ind&amp;uacute;stria Gr&amp;aacute;fica (Conlatingraf) para homenagear personalidades e empresas que, al&amp;eacute;m de uma trajet&amp;oacute;ria bem-sucedida, t&amp;ecirc;m forte participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o na Comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o gr&amp;aacute;fica no Continente. A entrega do pr&amp;ecirc;mio se dar&amp;aacute; em Canc&amp;uacute;n, M&amp;eacute;xico, durante o XXII Congresso Latino-americano da Ind&amp;uacute;stria Gr&amp;aacute;fica, que acontecer&amp;aacute; de 1 a 4 de setembro de 2010. </description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=441</link>
	</item>
	<item>
		 <title>JB, o paradigma que fica</title>
		  <pubDate>15/07/2010</pubDate>
		<description>Jornal do Brasil,
paradigma que fica
O comunicado publicado ontem (14 de Julho/2010) no JB, anunciando aos leitores o fim da edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o impressa do jornal a partir de 1&amp;ordm; de setembro, &amp;eacute; apenas registro simb&amp;oacute;lico da morte de um jornal que j&amp;aacute; n&amp;atilde;o existia. Como Fernando Gabeira escreveu em depoimento publicado na Folha de S. Paulo, o objeto que h&amp;aacute; quase uma d&amp;eacute;cada circulava por a&amp;iacute;, pendurado no hist&amp;oacute;rico logotipo, j&amp;aacute; n&amp;atilde;o era o Jornal do Brasil, mas o seu fantasma. 

O velho e glorioso Jornal do Brasil morrera em agonia lenta. Agonia&amp;nbsp; implac&amp;aacute;vel, alongada, progressivamente agravada pela incompet&amp;ecirc;ncia (sei l&amp;aacute; se tamb&amp;eacute;m pela desonestidade) de gestores que n&amp;atilde;o souberam ou n&amp;atilde;o quiseram evitar o processo degenerativo dos passivos fiscais e trabalhistas. 

Morreu o jornal, mas ficou o paradigma. E esse &amp;eacute; o nosso consolo.

O modelo implantado e exercitado pelo Jornal do Brasil nas d&amp;eacute;cadas de 60 e 70 constitui-se, para mim sem d&amp;uacute;vida, o mais importante paradigma de jornalismo de qualidade j&amp;aacute; produzido no Brasil. Mesmo as mais recentes reformas feitas em grandes jornais di&amp;aacute;rios, como as da Folha e do Estad&amp;atilde;o, produzem avan&amp;ccedil;os claramente influenciados pelo modelo JB de pensar e fazer jornalismo, cinq&amp;uuml;enta anos atr&amp;aacute;s. Vem do paradigma JB, por exemplo, o enriquecimento da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o pela explica&amp;ccedil;&amp;atilde;o, em textos assinados por especialistas ou gerados pela pesquisa. 

Vem da reforma do JB, liderada por J&amp;acirc;nio de Freitas (primeira fase, no final dos anos 50) e por Alberto Dines (segunda fase, nos anos 60), um conceito t&amp;eacute;cnico-art&amp;iacute;stico-cient&amp;iacute;fico de desenho gr&amp;aacute;fico, a partir do qual se consolidou uma pedagogia visual de leitura, estimuladora tanto dos impulsos de busca e escolha das relev&amp;acirc;ncias noticiosas quanto da facilita&amp;ccedil;&amp;atilde;o e do prazer da leitura. 

Embora trabalhada com a preponder&amp;acirc;ncia est&amp;eacute;tica da verticalidade, a diagrama&amp;ccedil;&amp;atilde;o criada pelo JB obedecia a uma funcionalidade geom&amp;eacute;trica que permitia combina&amp;ccedil;&amp;otilde;es com arruma&amp;ccedil;&amp;otilde;es horizontais, produzindo contrastes que acentuavam o estilo vertical, dando-lhe vigor e fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o de marca essencial. Era uma diagrama&amp;ccedil;&amp;atilde;o de inteligentes efeitos interativos, que tratava o leitor como interlocutor preferencial. E para que assim fosse e acontecesse, a fisionomia gr&amp;aacute;fica do&amp;nbsp;jornal refletia as quatro vari&amp;aacute;veis de linguagem que marcavam tamb&amp;eacute;m o qualidade do seu texto: clareza, precis&amp;atilde;o, eleg&amp;acirc;ncia e rigor (inclusive gramatical).

Ao contr&amp;aacute;rio do que alguns pensam e dizem (Elvira Lobato escreveu essa bobagem na Folha de ontem), o paradigma jornal&amp;iacute;stico do JB n&amp;atilde;o prestava tributos ao &amp;ldquo;notici&amp;aacute;rio objetivo&amp;rdquo;, at&amp;eacute; porque isso n&amp;atilde;o existe. No paradigma jornal&amp;iacute;stico do JB, o texto sempre assumiu o dever de escolher e dar evid&amp;ecirc;ncia ao mais relevante, coisa que n&amp;atilde;o combina com a objetividade.

Se o relato jornal&amp;iacute;stico tivesse de ser objetivo, em vez de not&amp;iacute;cias escrever&amp;iacute;amos atas. 

No paradigma JB, em favor da clareza, da precis&amp;atilde;o e do vigor das relev&amp;acirc;ncias jornal&amp;iacute;sticas assumidas, at&amp;eacute; o formato abstrato da pir&amp;acirc;mide invertida foi reinventado, ganhando um resumo introdut&amp;oacute;rio. E a valoriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o visual desse resumo, al&amp;eacute;m de refor&amp;ccedil;ar a relev&amp;acirc;ncia &amp;ldquo;da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o mais importante&amp;rdquo;, funcionava como ferramenta de capacita&amp;ccedil;&amp;atilde;o do leitor para a decis&amp;atilde;o de ler ou n&amp;atilde;o ler. 

Outra marca importante do jeito JB de pensar e fazer jornalismo estava nas diversas formas de combinar narra&amp;ccedil;&amp;atilde;o e argumenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o, para que os fatos ganhassem contextos e significa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o cognitiva de um leitor elucidado. 

***

Senhoras e senhores, colegas e amigos: o JB morreu, depois de cumprir papel extraordinariamente importante na evolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o do jornalismo brasileiro. Morreu o jornal. Mas o paradigma de bom jornalismo em que se constituiu permanece vivo e &amp;uacute;til. E permanece tamb&amp;eacute;m desafiador, a exigir desconstru&amp;ccedil;&amp;otilde;es acad&amp;ecirc;micas que o transformem em conhecimento utiliz&amp;aacute;vel pelas atuais e futuras gera&amp;ccedil;&amp;otilde;es de jornalistas. 
____________________________________________________

NOTA DE RODAP&amp;Eacute; &amp;ndash; &amp;ldquo;O &amp;lsquo;JB&amp;rsquo; vai sair do papel e entrar para a modernidade&amp;rdquo;, escreveu o Sr. Nelson Tamure, numa das notas por ele encaminhadas aos jornais. Em vez de espalhar tolices como essa nos pap&amp;eacute;is que escreve, melhor seria que o Sr. Tanure, em homenagem ao verdadeiro&amp;nbsp;Jornal do Brasil, e em preserva&amp;ccedil;&amp;atilde;o da sua mem&amp;oacute;ria, retirasse a marca &amp;ldquo;JB&amp;rdquo; da vers&amp;atilde;o online que promete manter no ar.&amp;nbsp;</description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=440</link>
	</item>
	<item>
		 <title>O abraço fraudulento</title>
		  <pubDate>18/06/2010</pubDate>
		<description>O abra&amp;ccedil;o fraudulento
Caro Her&amp;oacute;doto Barbeiro: 

Abro-lhe hoje este &amp;ldquo;Postigo do Di&amp;aacute;logo&amp;rdquo;, para, em jeito de desagravo, me solidarizar com voc&amp;ecirc;, exatamente no dia em que&amp;nbsp;est&amp;aacute; sendo lan&amp;ccedil;ado no Cine Belas Artes, de S&amp;atilde;o Paulo, um document&amp;aacute;rio (&amp;ldquo;O abra&amp;ccedil;o corporativo&amp;rdquo;) que, mesmo sob a capa de boas inten&amp;ccedil;&amp;otilde;es, ofende a sua dignidade de jornalista do r&amp;aacute;dio e&amp;nbsp; da TV, e espezinha a respeitabilidade que voc&amp;ecirc; agregou ao seu nome e &amp;agrave; sua imagem profissional, ao longo de uma carreira marcada pelo respeito &amp;agrave;s responsabilidades sociais e culturais da profiss&amp;atilde;o.&amp;nbsp; 

Embora, prezado Her&amp;oacute;doto (foto), poucas vezes tenhamos nos encontrado e conversado, conhecemo-nos h&amp;aacute; j&amp;aacute; algumas d&amp;eacute;cadas &amp;ndash; desde quando, ainda nos anos oitenta do s&amp;eacute;culo passado, voc&amp;ecirc; generosamente se disp&amp;ocirc;s a ir &amp;agrave; ECA-USP conversar sobre radiojornalismo com um grupo de alunos meus. Mas antes disso, eu j&amp;aacute; acompanhava o seu trabalho no radiojornalismo, o que continua a acontecer - agora tamb&amp;eacute;m, e de modo especial, no telejornalismo. 

Essa fidelidade de ouvinte e telespectador indica o grande apre&amp;ccedil;o que tenho pela qualidade e pela seriedade do seu trabalho. Por isso me senti tamb&amp;eacute;m ofendido quando, como convidado, assisti ao referido document&amp;aacute;rio em uma apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o preliminar, quando ainda lhe faltavam alguns detalhes de acabamento. 

Mesmo que a inten&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos produtores n&amp;atilde;o tenha sido essa, no document&amp;aacute;rio, voc&amp;ecirc; &amp;eacute; v&amp;iacute;tima de uma fraude, altamente ofensiva. E agora que o document&amp;aacute;rio se torna coisa p&amp;uacute;blica, solidarizo-me tamb&amp;eacute;m publicamente com voc&amp;ecirc;, porque, repito, ao v&amp;ecirc;-lo ludibriado no document&amp;aacute;rio, me senti tamb&amp;eacute;m ofendido. E estendo a solidariedade aos muitos editores, rep&amp;oacute;rteres e pauteiros, que, como voc&amp;ecirc;, foram enganados pelos mentirosos do tal abra&amp;ccedil;o corporativo.&amp;nbsp;Do mesmo modo,&amp;nbsp;lamento que a difus&amp;atilde;o jornal&amp;iacute;stica de um conte&amp;uacute;do fraudulento tenha tamb&amp;eacute;m enganado milh&amp;otilde;es de leitores, radiouvintes e telespectadores. 

Como voc&amp;ecirc; sabe, &amp;ldquo;O abra&amp;ccedil;o corporativo&amp;rdquo; conta a hist&amp;oacute;ria de um consultor de RH, vinculado a um a organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o inglesa especializada em rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es humanas e que veio ao Brasil fazer a divulga&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma teoria inovadora, propondo &amp;agrave;s empresas o abra&amp;ccedil;o como solu&amp;ccedil;&amp;atilde;o para uma suposta doen&amp;ccedil;a que afetava o rendimento profissional dos funcion&amp;aacute;rios, devido ao uso excessivo das novas tecnologias. Para promover e dar notoriedade &amp;agrave; teoria e ao consultor mensageiro, os produtores da fraude criaram eventos inusitados, como&amp;nbsp;a euf&amp;oacute;rica troca de abra&amp;ccedil;os na avenida Paulista, com ingredientes de pauta&amp;nbsp;irrecus&amp;aacute;vel.&amp;nbsp;Com&amp;nbsp; isso, conquistaram espa&amp;ccedil;o e tempo nos principais ve&amp;iacute;culos da comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o do pa&amp;iacute;s. 

Embalado pelo sucesso da divulga&amp;ccedil;&amp;atilde;o jornal&amp;iacute;stica e pelas t&amp;eacute;cnicas de assessoria de imprensa e RP utilizadas, o tal consultor virou protagonista de notici&amp;aacute;rios e de programas de entrevistas. E nessa onda criada, foi entrevistado tamb&amp;eacute;m pelo programa &amp;ldquo;Comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o Corporativa&amp;rdquo;, que voc&amp;ecirc; apresenta na TV Cultura. 

Em decorr&amp;ecirc;ncia da divulga&amp;ccedil;&amp;atilde;o conquistada, o homem virou at&amp;eacute; conferencista em eventos de RH.

Sei, Her&amp;oacute;doto, que voc&amp;ecirc; resistiu o quanto p&amp;ocirc;de a essa pauta, por sentir a falta de consist&amp;ecirc;ncia do conte&amp;uacute;do proposto. Mas houve um dia em que a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o venceu, e voc&amp;ecirc; passou pelo vexame de entrevistar, para os seus muitos milhares de telespectadores, um personagem fict&amp;iacute;cio, na verdade protagonista de uma fraude.

Fraude, sim, porque tudo era mentira, inven&amp;ccedil;&amp;atilde;o, num bem calculado,&amp;nbsp; planejada e controlada abuso de confian&amp;ccedil;a. A organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o inglesa n&amp;atilde;o existia, a teoria tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o, e menos ainda o consultor, que n&amp;atilde;o passava de um ator (Leonardo Camilo), que se disp&amp;ocirc;s a usar a sua pr&amp;oacute;pria arte para enganar pessoas que organizam as suas rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es com o mundo confiando na veracidade dos fatos noticiados&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; 

Milh&amp;otilde;es de pessoas foram enganadas, Her&amp;oacute;doto. E enganadas sem repara&amp;ccedil;&amp;atilde;o. 

A pretexto de qu&amp;ecirc;? &amp;ndash; essa a pergunta que eu e voc&amp;ecirc; fazemos, em nossa perplexidade.

Como voc&amp;ecirc; sabe, os inventores do abra&amp;ccedil;o corporativo dizem que queriam expor e criticar os poucos cuidados que o jornalismo tem, na apura&amp;ccedil;&amp;atilde;o e aferi&amp;ccedil;&amp;atilde;o do que divulga. Para provar isso, criaram essa gigantesca fraude.

S&amp;oacute; que, para enganar os jornalistas e os p&amp;uacute;blicos por eles informados, todas as pautas propostas foram encaminhadas &amp;agrave;s reda&amp;ccedil;&amp;otilde;es por um jornalista conhecido e bem considerado do meio, o diretor do document&amp;aacute;rio, Ricardo Kauffman . Logo, um profissional que merecia f&amp;eacute; no meio jornal&amp;iacute;stico exatamente por ser jornalista, colega de profiss&amp;atilde;o, vinculado, portanto, aos mesmos compromissos &amp;eacute;ticos e deontol&amp;oacute;gicos que os pressupostos do projeto exigiam dos profissionais que trabalham em reda&amp;ccedil;&amp;otilde;es.

Como se v&amp;ecirc;, no conveniente racioc&amp;iacute;nio dos criadores do falso abra&amp;ccedil;o, uns podem mentir, outros, n&amp;atilde;o...

&amp;Eacute; prov&amp;aacute;vel que o document&amp;aacute;rio alcance sucesso. A hist&amp;oacute;ria contada impressiona, incomoda, e o trabalho est&amp;aacute; tecnicamente bem feito. Pode at&amp;eacute; pretender servir a uma boa causa, a cr&amp;iacute;tica do jornalismo. Mas o objetivo poderia e deveria&amp;nbsp; ter sido alcan&amp;ccedil;ado de outra maneira e por outros meios, sem pr&amp;aacute;ticas de estelionato.&amp;nbsp; 

&amp;Eacute; o que penso, caro Her&amp;oacute;doto. E o que aqui digo, j&amp;aacute; foi dito, talvez com palavras mais brandas, ao Ricardo Kauffman, inclusive na entrevista que lhe concedi para o document&amp;aacute;rio. Mas boa parte do que disse na conversa gravada foi cortado na edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o final&amp;nbsp; &amp;ndash; o que, evidentemente, &amp;eacute; um direito de autoria de quem edita.

De qualquer forma, amigo Her&amp;oacute;doto, j&amp;aacute; que a obra foi conclu&amp;iacute;da e entrou em exibi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, que ao menos produza debates proveitosos, que ajudem a melhorar o jornalismo. Inclusive no que se refere &amp;agrave; honestidade jornal&amp;iacute;stica das fontes, que n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o corpos estranhos no jornalismo, mas parte dele.

S&amp;atilde;o os meus votos. E acredito que tamb&amp;eacute;m os seus, Her&amp;oacute;doto.

Grande abra&amp;ccedil;o!

Carlos Chaparro&amp;nbsp;&amp;nbsp;</description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=439</link>
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	<item>
		 <title>Pequeno tributo a José Saramago</title>
		  <pubDate>18/06/2010</pubDate>
		<description>Pequeno tributo 
a Jos&amp;eacute; Saramago
Morreu Jos&amp;eacute; Saramago, o escritor que levou a l&amp;iacute;ngua portuguesa &amp;agrave;s gl&amp;oacute;rias universais de um Pr&amp;ecirc;mio Nobel. E o luto se estende bem al&amp;eacute;m dos limites lus&amp;oacute;fonos; est&amp;aacute; de luto o universo da literatura mundial, ao qual, com os autores que escrevem, pertencemos todos n&amp;oacute;s, c&amp;uacute;mplices na leitura. 

Quer se goste ou n&amp;atilde;o do que Jos&amp;eacute; Saramgo escreveu, ou das formas como escreveu, h&amp;aacute; que assumir luto por sua morte. Sem tristezas, por&amp;eacute;m. Porque, sempre que quisermos, poderemos reencontrar o escritor em qualquer das suas obras maiores, e nelas, nos deixarmos prender pelas irrecus&amp;aacute;veis teias interlocut&amp;oacute;rias da narratividade saramaguiana. Teias nas quais nos&amp;nbsp;transformamos de leitores em narrat&amp;aacute;rios.

Para estimular reencontros, e em rever&amp;ecirc;ncia &amp;agrave; mem&amp;oacute;ria de Jos&amp;eacute; Saramago,republico um pequeno texto que escrevi em&amp;nbsp; em 1998, logo ap&amp;oacute;s a conquista do Nobel de Literatura.

Vidas em frases
Na aula noturna daquela sexta-feira de Outubro de 1998, em plena euforia pela outorga do Pr&amp;ecirc;mio Nobel de Literatura a um escritor de l&amp;iacute;ngua portuguesa, propus aos meus alunos uma conversa sobre Jos&amp;eacute; Saramago. E foi emocionante ver, ouvir, sentir a alma em festa de boa parte dos jovens da classe. N&amp;atilde;o tanto por Saramago, do qual poucos haviam lido alguma coisa, mas pela exalta&amp;ccedil;&amp;atilde;o da l&amp;iacute;ngua portuguesa que ao mundo se espalhou. Um dos alunos, olhos brilhando, falou mais alto: &amp;ldquo;Nada li dele at&amp;eacute; agora. Mas quando ouvi a not&amp;iacute;cia, foi como se eu tamb&amp;eacute;m tivesse ganho o Pr&amp;ecirc;mio Nobel, porque eu e o Saramago somos da mesma l&amp;iacute;ngua&amp;rdquo;. Falava por si pr&amp;oacute;prio, mas sintetizava as falas e os sil&amp;ecirc;ncios do grupo. 

Saramago, o artista do l&amp;eacute;xico, o transgressor da sintaxe, &amp;eacute; um criador de sem&amp;acirc;nticas inesperadas, que incomodam tanto quanto encantam. E nos afazeres art&amp;iacute;sticos de dar formas de frase &amp;agrave;s muitas vidas que enxerga, usa o cinzel da palavra, o mais cortante de todos, afiad&amp;iacute;ssimo em suas m&amp;atilde;os, para simula&amp;ccedil;&amp;otilde;es da realidade que d&amp;atilde;o o que pensar. Ele n&amp;atilde;o recria apenas o mundo; recria em cada obra a pr&amp;oacute;pria l&amp;iacute;ngua, dando-lhe, na dimens&amp;atilde;o escrita, usos e formas que s&amp;oacute; ele sabe dar -&amp;nbsp;na arte de narrar, descrevendo; na arte de descrever, argumentando; na arte de argumentar, narrando.&amp;nbsp;&amp;nbsp; 

No seu of&amp;iacute;cio de escritor, vejam s&amp;oacute; que habilidades e liberdades novas ele ensinou &amp;agrave; v&amp;iacute;rgula: 

&amp;quot;O cego e a cega descansavam agora, j&amp;aacute; separados, um ao lado do outro, mas continuavam de m&amp;atilde;os dadas, eram novos, talvez fossem namorados, tinham ido ao cinema e ali cegaram, ou um acaso milagroso os juntou aqui, e, sendo assim, como foi que se reconheceram, ora essa, pelas vozes, claro est&amp;aacute;, n&amp;atilde;o &amp;eacute; s&amp;oacute; a voz do sangue que n&amp;atilde;o precisa de olhos, o amor, que dizem ser cego, tamb&amp;eacute;m tem a sua palavra a dizer.&amp;quot;

Das habilidades e liberdades da v&amp;iacute;rgula n&amp;atilde;o falei aos alunos, mas de alguns dos outros muitos recursos que a literatura pode emprestar ao jornalismo. Talvez o exemplo n&amp;atilde;o esteja na passagem de Jos&amp;eacute; Saramago pelas reda&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Na meia d&amp;uacute;zia de resumos biogr&amp;aacute;ficos que li, pouco ou nada se fala da sua fase de jornalista. Parece que nem ele tem em bom apre&amp;ccedil;o esses tempos. De qualquer forma, ainda bem que optou pela literatura, onde, sem renunciar, muito ao contr&amp;aacute;rio, &amp;agrave;s id&amp;eacute;ias da pr&amp;oacute;pria identidade, pode, em dosagens livres, misturar a fic&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; realidade para descarnar ou revestir os ossos do mundo em que vivemos.&amp;nbsp;&amp;nbsp;
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* Leia&amp;nbsp;RECORTES dos dias anteriores.</description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=438</link>
	</item>
	<item>
		 <title>Um pouco de Piaget, para entender Dunga</title>
		  <pubDate>15/06/2010</pubDate>
		<description>Para entender Dunga,
um pouco de Piaget
Come&amp;ccedil;o a escrever este &amp;ldquo;Recorte&amp;rdquo; quando faltam tr&amp;ecirc;s horas para o Brasil entrar em campo, no seu primeiro jogo da Copa. O resultado da estreia sinalizar&amp;aacute;, ao menos provisoriamente, as emo&amp;ccedil;&amp;otilde;es que esperam por Dunga &amp;ndash; se os prazeres de uma vit&amp;oacute;ria psicol&amp;oacute;gica e pol&amp;iacute;tica sobre os jornalistas, com direito a gl&amp;oacute;rias de her&amp;oacute;i; ou se as dores da penit&amp;ecirc;ncia que jornalisticamente lhe ser&amp;aacute; imposta, em caso de derrota: a de assumir o papel de vil&amp;atilde;o, na baixa com&amp;eacute;dia que ele pr&amp;oacute;prio inventou, com truques de drama. 

Qualquer que seja o rumo, Dunga colher&amp;aacute; resultados de uma estrat&amp;eacute;gia que ele pr&amp;oacute;prio escolheu e definiu, provavelmente com a ajuda do psiquiatra Augusto Cury, o nosso mais renomado especialista em habilidades de auto-ajuda e que parece ser uma esp&amp;eacute;cie de guru do t&amp;eacute;cnico.

Encontrei nos jornais de hoje a pista para entender esse embate (que interessa aos dois lados) entre Dunga e o batalh&amp;atilde;o de jornalistas que na &amp;Aacute;frica do Sul o cerca. Na entrevista que a Fifa exige dos t&amp;eacute;cnicos na v&amp;eacute;spera dos jogos, Dunga foi provocado por uma pergunta sobre o adjetivo &amp;ldquo;secreto&amp;rdquo;, utilizado pelo pr&amp;oacute;prio diretor de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o da CBF, Rodrigo Paiva, quando, um dia antes, tentara explicar o porqu&amp;ecirc; do treinamento com acesso&amp;nbsp;proibido a jornalistas. E eis que a borboleta do inconsciente fugiu do escafandro da racionalidade, colocando na boca de Dunga a seguinte fala:
&amp;nbsp;
&amp;ldquo;O treino n&amp;atilde;o &amp;eacute; secreto, &amp;eacute; privado. O Rodrigo &amp;eacute; muito educado e talvez n&amp;atilde;o tenha querido entrar em conflito com voc&amp;ecirc;s, rep&amp;oacute;rteres. E n&amp;atilde;o explicou direito&amp;rdquo;.

Gra&amp;ccedil;as &amp;agrave; borboleta sapeca do inconsciente, Dunga disse a palavra-chave do seu jogo particular de criatividade motivacional: CONFLITO.

N&amp;atilde;o acredito que&amp;nbsp;Dunga tenha lido qualquer texto de Piaget. Mas, por vias outras (talvez at&amp;eacute; pelas v&amp;aacute;rias conversas tidas com o dr. Cury), em algum momento&amp;nbsp;ele aprendeu&amp;nbsp;algo que Piaget ensinou: o universo da criatividade &amp;eacute; a intelig&amp;ecirc;ncia. E a sua l&amp;oacute;gica, a do conflito. 

Por outras palavras: h&amp;aacute; que definir, reconhecer e assumir inimigos, ainda que simb&amp;oacute;licos, para que, na arena dos problemas, as verdadeiras solu&amp;ccedil;&amp;otilde;es sejam alcan&amp;ccedil;adas.

Claro que Piaget escrevia sobre essas coisas situando-as no espa&amp;ccedil;o das id&amp;eacute;ias e dos embates intelectuais. &amp;ldquo;Meus inimigos sempre foram os positivistas&amp;rdquo;, revela, num texto em que pensa a quest&amp;atilde;o da criatividade. E em fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos inimigos assumidos, esse grande s&amp;aacute;bio do desenvolvimento cognitivo pensou e escreveu o extraordin&amp;aacute;rio acervo de conhecimento que dele herdamos.

Dunga simplificou as coisas. Arranjou formas pr&amp;aacute;ticas de brigar. Inventou inimigos de carne e osso, e com eles encenou uma guerra de confrontos diretos, na base de palavreado agressivo e verbaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o prim&amp;aacute;ria.&amp;nbsp;Queria esconder os segredos e os atletas da sua sele&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Na minha avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o, deu certo. E deu certo, gra&amp;ccedil;as &amp;agrave; enorme colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos jornalistas, que entraram de corpo e alma na briga,&amp;nbsp;at&amp;eacute; porque ela&amp;nbsp;tamb&amp;eacute;m lhes convinha.

Oh! E como convinha! - especialmente &amp;agrave;s redes de TV, R&amp;aacute;dio e Internet.

Numa cobertura Copa, os altos patroc&amp;iacute;nios exigem das equipes em campo a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o cont&amp;iacute;nua de conte&amp;uacute;dos movidos e nutridos a conflito. Para as equipes da cobertura ao vivo, &amp;eacute; dram&amp;aacute;tica a press&amp;atilde;o sofrida, com a insaci&amp;aacute;vel demanda por conte&amp;uacute;dos em forma de fatos, falas e curiosidades, para suprir de novidades as entradas ao vivo, em todos os hor&amp;aacute;rios das grades de programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&amp;nbsp;&amp;nbsp; 

Mas agora, com a sele&amp;ccedil;&amp;atilde;o brasileira j&amp;aacute; em campo,&amp;nbsp;acabou a escassez de conte&amp;uacute;dos. E&amp;nbsp;a briga de gato e rato perdeu utilidade, tanto para Dunga quanto para os jornalistas.&amp;nbsp; 

Jogo &amp;eacute; outro, o da bola.&amp;nbsp;E outros&amp;nbsp;ser&amp;atilde;o os inimigos.&amp;nbsp; 
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* Leia&amp;nbsp;RECORTES dos dias anteriores.</description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=437</link>
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		 <title>Ditadura dos Acontecimentos</title>
		  <pubDate>10/06/2010</pubDate>
		<description>A ditadura 
dos Acontecimentos
programados
A din&amp;acirc;mica da Atualidade, tal como ela se manifesta noi mundo globalizado, &amp;nbsp;Atualidade, exige que os jornalistas olhem, cada vez com mais exigente aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o e atrevida criatividade, para dois aspectos do processo que muito t&amp;ecirc;m a ver com a crise do Jornalismo, de que tanto se fala: 

1) A ditadura dos acontecimentos programados e controlados - A re-produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos mesmos conte&amp;uacute;dos nos diversos meios de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o reflete um tempo novo do Jornalismo, tempo da Revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o das Fontes, que adquiriram e profissionalizaram a capacidade de criar a pauta jornal&amp;iacute;stica e de supri-la, com conte&amp;uacute;dos adequados &amp;agrave; linguagem jornal&amp;iacute;stica. Por isso, na m&amp;eacute;dia (dado a que cheguei em pesquisas de leitura e medi&amp;ccedil;&amp;otilde;es de jornais di&amp;aacute;rios), uma fatia de 95% do espa&amp;ccedil;o impresso do relato jornal&amp;iacute;stico &amp;eacute; ocupada por acontecimentos programados, controlados e recheados pelos sujeitos sociais que os produzem. E o fazem com tal compet&amp;ecirc;ncia, que obrigam jornais concorrentes a repetir n&amp;atilde;o s&amp;oacute; as not&amp;iacute;cias, mas at&amp;eacute; os crit&amp;eacute;rios de relev&amp;acirc;ncia na edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Por isso, t&amp;iacute;tulos e fotos, declara&amp;ccedil;&amp;otilde;es e imagens se repetem diariamente, nos principais telejornais e nas primeiras p&amp;aacute;ginas dos mais importantes jornais.

Para a sociedade, &amp;eacute; &amp;oacute;timo que as institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es e os grupos organizados que a constituem tenham capacidade de formular e socializar os seus pr&amp;oacute;prios discursos. Mas, para o Jornalismo e a sua linguagem, esse &amp;eacute; um problema novo, para o qual as reda&amp;ccedil;&amp;otilde;es precisam abrir olhos e c&amp;eacute;rebros. No m&amp;iacute;nimo, para imporem ao relato e ao coment&amp;aacute;rio dos acontecimentos a perspectiva do sujeito jornalista narro-argumentador.

2) A hipnose emocional das altera&amp;ccedil;&amp;otilde;es na superf&amp;iacute;cie &amp;ndash; Os acontecimentos s&amp;atilde;o tantos, e t&amp;atilde;o interessantes sob o ponto de vista dos impactos aparentes, que o olhar jornal&amp;iacute;stico se deixou hipnotizar pelos encantos do que se passa na superf&amp;iacute;cie agitada da Atualidade. E esquece que, abaixo o horizonte vis&amp;iacute;vel, e para al&amp;eacute;m e aqu&amp;eacute;m da materialidade dos fatos notici&amp;aacute;veis e noticiadas, h&amp;aacute; um mundo de causas e efeitos, uma vitalidade inesgot&amp;aacute;vel de energias e movimentos conflitantes, pr&amp;oacute;prio dos processos culturais de viver e lutar. 

Claro que a superf&amp;iacute;cie tem de ser olhada, e atentamente, com rigores at&amp;eacute; metodol&amp;oacute;gicos. Mas o Jornalismo n&amp;atilde;o pode perder a capacidade de fazer mergulhos de desvendamento dos conflitos ocultos, abaixo da linha do horizonte.

Diz-se, e talvez seja verdade, que n&amp;atilde;o h&amp;aacute; mais espa&amp;ccedil;o nem tempo para a grande reportagem. Pois ent&amp;atilde;o &amp;eacute; preciso criar novas formas e novos m&amp;eacute;todos de desvendar o que a apar&amp;ecirc;ncia agitada da superf&amp;iacute;cie esconde.

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* Leia&amp;nbsp;RECORTES dos dias anteriores.</description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=436</link>
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	<item>
		 <title>08-06-2010 - Gaza e desvendamento</title>
		  <pubDate>08/06/2010</pubDate>
		<description>O dever jornal&amp;iacute;stico&amp;nbsp;
de desvendar e&amp;nbsp;elucidar
Pouco tempo ap&amp;oacute;s do ataque de Israel ao barco que levava ajuda humanit&amp;aacute;ria &amp;agrave; popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Gaza, a Folha de S. Paulo enviou ao territ&amp;oacute;rio sitiado o seu correspondente em Jerusal&amp;eacute;m. E Marcelo Ninio, o jornalista escalado, fez aquilo a que chamo &amp;ldquo;reportagem de desvendamento&amp;rdquo; &amp;ndash; olhar, captar e narrar a realidade escondida pela &amp;ldquo;festa&amp;rdquo; dos acontecimentos controlados que animam&amp;nbsp; o conflito entre palestinos e israelenses.

Pelo tom do texto, imagino que Marcelo Ninio tenha enfrentado algumas dificuldades, impostas pelos mecanismos e pelas rotinas do controle pol&amp;iacute;tico-militar, certamente existente na regi&amp;atilde;o. Talvez por isso, a sua reportagem n&amp;atilde;o chega a ser uma grande pe&amp;ccedil;a jornal&amp;iacute;stica. Faltam-lhe protagonistas marcantes e falas decisivas.&amp;nbsp;

A reportagem desenrola-se em enunciados constatativos, na malha alongada do discurso indireto. E a car&amp;ecirc;ncia de vibra&amp;ccedil;&amp;atilde;o narrativa ajuda a perceber a origem oficiosa das vers&amp;otilde;es e informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es passadas aos leitores.&amp;nbsp; 

Ainda assim, a reportagem de Marcelo Ninio agrega significados importantes &amp;agrave; crise internacional gerada pelos conflitos em Gaza. 

O t&amp;iacute;tulo resume bem a vertente mais dram&amp;aacute;tica das revela&amp;ccedil;&amp;otilde;es feitas pelo rep&amp;oacute;rter: a Gaza bloqueada e bombardeada &amp;eacute; hoje&amp;nbsp;dram&amp;aacute;tica pris&amp;atilde;o ar livre, com um milh&amp;atilde;o e meio de pessoas privadas n&amp;atilde;o apenas do seu direito de ir e vir, mas tamb&amp;eacute;m vilipendiadas no&amp;nbsp;direito de viver e sobreviver com dignidade. 

O lado surpreendente da reportagem est&amp;aacute; na inesperada revela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que as prateleiras dos mercados de Gaza est&amp;atilde;o cheias de produtos prontos para consumo, o que d&amp;aacute; boa ajuda ao argumento israelense de que n&amp;atilde;o h&amp;aacute; crise humanit&amp;aacute;ria naquele populoso peda&amp;ccedil;o mediterr&amp;acirc;nico. Mas h&amp;aacute; desemprego, e, por decorr&amp;ecirc;ncia, falta de dinheiro para ir &amp;agrave;s compras. 

Marcelo Ninio poderia ter feito uma reportagem melhor. Mesmo assim, devemos-lhe algo que cada vez mais se exige do jornalismo, em especial do jornalismo di&amp;aacute;rio impresso: o exerc&amp;iacute;cio jornal&amp;iacute;stico de ir al&amp;eacute;m da materialidade dos fatos, mergulhando e desvendando o lado oculto e quase sempre esquecido dos conflitos, que &amp;eacute; o lado dos agrupamentos humanos mais fr&amp;aacute;geis, sobre cuja vida real recai o drama dos efeitos. 

Claro: n&amp;atilde;o h&amp;aacute; como ignorar os fatos contundentes da atualidade, dos quais irrompem as gritantes manchetes de nosso dia a dia. Mas o jornalismo de hoje n&amp;atilde;o pode continuar a fugir ao mais importante dos seus novos pap&amp;eacute;is: o da elucida&amp;ccedil;&amp;atilde;o imediata dos conflitos que relata, oferecendo aos cidad&amp;atilde;os o desvendamento dos ocultos contextos de causas e efeitos, no mundo real das pessoas.&amp;nbsp; 

***
NOTA DE RODAP&amp;Eacute; &amp;ndash; Com este texto, atendo em parte &amp;agrave; solicita&amp;ccedil;&amp;atilde;o do internauta leitor Josenildo Moreira. Em coment&amp;aacute;rio recentemente postado nesta coluna, ele me pediu que escrevesse sobre os papeis reservados ao jornalismo, nos novos cen&amp;aacute;rios da atualidade.
Em breve retomarei o assunto.</description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=435</link>
	</item>
	<item>
		 <title>02-06-2010 - Ferreira Gullar</title>
		  <pubDate>02/06/2010</pubDate>
		<description>A liberdade 
de ser e pensar,
no dizer do poeta. 
Quanto mais leio ou ou&amp;ccedil;o o pensar de mentes iluminadas como a do poeta Ferreira Gullar, menos temo o avan&amp;ccedil;o na idade. E mais em mim aumenta o apre&amp;ccedil;o pelo exerc&amp;iacute;cio da liberdade de ser, cuja plenitude s&amp;oacute; no caminhar vivido se alcan&amp;ccedil;a. 

Gullar est&amp;aacute; na plenitude, aos 80 anos.

Em Ferreira Gullar, o maior dos nossos poetas vivos, a liberdade de ser manifesta-se na liberdade de dizer. E esta semana ele aceitou dizer a sua verdade, em conversa com algu&amp;eacute;m da Folha de S. Paulo. 

A Folha reproduziu hoje a conversa. Uma boa entrevista, apesar dos pequenos descuidos no acabamento do texto, aqui e ali com falhas de pontua&amp;ccedil;&amp;atilde;o e exageros de coloquialismo que prejudicam o entrevistado.

Concordar ou discordar de Gullar &amp;eacute; a a&amp;ccedil;&amp;atilde;o que nos cabe, como interlocutores.&amp;nbsp; E &amp;eacute; coisa f&amp;aacute;cil, essa de concordar com o poeta ou dele discordar. F&amp;aacute;cil porque, nas respostas &amp;agrave;s quest&amp;otilde;es, Gullar depura e exp&amp;otilde;e o &amp;acirc;mago do que pensa e &amp;eacute;. Dele, as palavras brotam puras, vigorosas, livres de ambig&amp;uuml;idades, cinzeladas pela independ&amp;ecirc;ncia l&amp;uacute;cida da maturidade.

Vejam como isso se d&amp;aacute;, em fragmentos que recorto:

- &amp;ldquo;O Lula &amp;eacute; um farsante, n&amp;atilde;o merece confian&amp;ccedil;a. N&amp;atilde;o entendemos o que ele faz. Como abra&amp;ccedil;ar o Ahmadinejad, (...) que realizou uma elei&amp;ccedil;&amp;atilde;o fraudada? O povo protestou contra o resultado e o Lula disse que aquilo &amp;eacute; choro de perdedor, como se fosse uma partida de futebol.&amp;rdquo; 

- &amp;ldquo;Por que reatou rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es com a Coreia do Norte? A Coreia &amp;eacute; um regime atrasado, o povo morre de fome (...). O povo com fome e o governo fazendo bombas. N&amp;atilde;o entendo o Lula.&amp;rdquo; 

- &amp;ldquo;Eu aprendi na minha luta pol&amp;iacute;tica, no pre&amp;ccedil;o que paguei no ex&amp;iacute;lio, a ter uma vis&amp;atilde;o diferente do marxismo, que n&amp;atilde;o tenho medo de expressar. O marxismo foi uma atitude correta e digna diante do capitalismo selvagem do s&amp;eacute;culo 19. Surgiu como uma alternativa contra aquela coisa inaceit&amp;aacute;vel. Mas a proje&amp;ccedil;&amp;atilde;o da sociedade futura, com a ditadura do proletariado, &amp;eacute; um sonho equivocado. O marxismo tem uma vis&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica generosa, mas equivocada.&amp;rdquo; 

- &amp;ldquo;Hoje, a mulher est&amp;aacute; de fio dental mostrando a bunda na praia. Isso &amp;eacute; ser mais avan&amp;ccedil;ado do que ser elegante? Hoje &amp;eacute; mais avan&amp;ccedil;ado mostrar a bunda? Para mim, isso &amp;eacute; mais prim&amp;aacute;rio, mais escroto. Perde todo o mist&amp;eacute;rio da mulher. &amp;Eacute; muito mais legal, rico, sensual, er&amp;oacute;tico e po&amp;eacute;tico se comover com o p&amp;eacute; da mo&amp;ccedil;a.&amp;rdquo; 

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Ah! Como a narra&amp;ccedil;&amp;atilde;o em forma de entrevista faz bem aos jornais e aos leitores! &amp;Eacute; a esp&amp;eacute;cie do texto jornal&amp;iacute;stico que com mais vigor e beleza serve &amp;agrave; socializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de id&amp;eacute;ias, em favor da diverg&amp;ecirc;ncia, da pol&amp;ecirc;mica e dos conflitos que interessam &amp;agrave; cultura e &amp;agrave; democracia.</description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=434</link>
	</item>
	<item>
		 <title>Jornalismo em mutação</title>
		  <pubDate>31/05/2010</pubDate>
		<description>Jornalismo
em muta&amp;ccedil;&amp;atilde;o
A frase &amp;eacute; velha, mas cont&amp;eacute;m e preserva uma verdade imut&amp;aacute;vel: N&amp;atilde;o h&amp;aacute; bom rep&amp;oacute;rter sem boas fontes. Sabemos, por&amp;eacute;m, que a cultura jornal&amp;iacute;stica n&amp;atilde;o resulta apenas da experi&amp;ecirc;ncia vivida dos bons rep&amp;oacute;rteres; h&amp;aacute;, no ambiente jornal&amp;iacute;stico, e j&amp;aacute; faz tempo, os &amp;ldquo;entes superiores&amp;rdquo; que pensam as &amp;ldquo;verdades&amp;rdquo; em que devemos acreditar.

Assim, os jovens que entram nas reda&amp;ccedil;&amp;otilde;es logo aprendem que &amp;ldquo;devem desconfiar das fontes&amp;rdquo;. E os tais &amp;ldquo;entes superiores&amp;rdquo; falam delas, e escrevem sobre elas, como se fossem o grupo do pecado:&amp;nbsp; &amp;ldquo;s&amp;oacute; dizem o que lhes interessa&amp;rdquo;; &amp;ldquo;n&amp;atilde;o t&amp;ecirc;m compromissos com a verdade&amp;rdquo;.&amp;nbsp; Vislumbra-se, portanto, um subtexto sugerindo verdades opostas: as reda&amp;ccedil;&amp;otilde;es&amp;nbsp;seriam territ&amp;oacute;rios de santos; como tal, s&amp;oacute; noticiam o que, por ser verdadeiro, poder&amp;aacute; ser comprovado no dia seguinte; e s&amp;oacute; se socializa na pauta jornal&amp;iacute;stica o que verdadeiramente interessa aos cidad&amp;atilde;os e &amp;agrave; Na&amp;ccedil;&amp;atilde;o.

Ora, todos sabemos que as coisas n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o bem assim...

Ao desqualificarem o papel das fontes, como se elas n&amp;atilde;o fizessem parte do jornalismo, e at&amp;eacute; o amea&amp;ccedil;assem, os &amp;ldquo;entes superiores&amp;rdquo; do jornalismo de manuais tentam-nos convencer de que as reda&amp;ccedil;&amp;otilde;es tradicionais, al&amp;eacute;m de ber&amp;ccedil;o &amp;uacute;nico da Not&amp;iacute;cia, s&amp;atilde;o f&amp;aacute;bricas aut&amp;ocirc;nomas de inesgot&amp;aacute;veis conte&amp;uacute;dos jornal&amp;iacute;sticos. 

Por&amp;eacute;m, se sairmos dessa nuvem ficcional de vapores dogm&amp;aacute;ticos para um mergulho de observa&amp;ccedil;&amp;atilde;o no jornalismo real (aquele que, por exemplo, as primeiras p&amp;aacute;ginas dos grandes jornais resumem diariamente), descobriremos coisas t&amp;atilde;o interessantes quanto esta: TODAS, TODAS as not&amp;iacute;cias resumidas hoje, segunda-feira (31/05), nas capas dos dois principais di&amp;aacute;rios de S&amp;atilde;o Paulo, procedem de fontes organizadas que pautaram as reda&amp;ccedil;&amp;otilde;es. E em boa parte dos casos, as reda&amp;ccedil;&amp;otilde;es fizeram um bom trabalho a partir das pr&amp;eacute;-pautas, explorando-as criativamente e aprofundando-as. 

Ou seja: as fontes deixaram de ser objeto e passaram assumir o papel de sujeitos part&amp;iacute;cipes&amp;nbsp;dos processos jornal&amp;iacute;sticos.

Isso constitui amea&amp;ccedil;a ao jornalismo, dizem alguns. 

Que jornalismo estaria amea&amp;ccedil;ado? &amp;ndash; pergunto eu.&amp;nbsp;O de tr&amp;ecirc;s, quatro d&amp;eacute;cadas atr&amp;aacute;s? Certamente n&amp;atilde;o, porque esse jornalismo n&amp;atilde;o existe mais. E n&amp;atilde;o existe mais, porque o mundo &amp;eacute; outro, radicalmente transformado pelas tecnologias de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o, que deram voz e poder aos sujeitos sociais organizaos.

Quando os grandes impactos tecnol&amp;oacute;gicos e civilizacionais transformam o mundo, muda tamb&amp;eacute;m o jornalismo,&amp;nbsp;que &amp;eacute; parte din&amp;acirc;mica desse mundo em muta&amp;ccedil;&amp;atilde;o. E porque fazem parte desse jornalismo em muta&amp;ccedil;&amp;atilde;o, as institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es-fontes t&amp;ecirc;m hoje o dever&amp;nbsp;de tamb&amp;eacute;m assumir conceitos e&amp;nbsp;pr&amp;aacute;ticas de responsabilidade &amp;eacute;tica e responsabilidade social, como produtoras de fatos, falas e conte&amp;uacute;dos notici&amp;aacute;veis.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; 

Amanh&amp;atilde;, ter&amp;ccedil;a-feira, estarei em Porto Alegre, falando sobre algumas dessas coisas aos assessores de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos munic&amp;iacute;pios do Rio Grande do Sul. Desse encontro darei aqui not&amp;iacute;cia. </description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=433</link>
	</item>
	<item>
		 <title>29-05-2010 - Ciência narrada</title>
		  <pubDate>29/05/2010</pubDate>
		<description>Ci&amp;ecirc;ncia narrada
Para quem n&amp;atilde;o &amp;eacute; not&amp;iacute;vago, ligar a TV &amp;agrave;s 7h da manh&amp;atilde;, e assistir ao Globo Ci&amp;ecirc;ncia. &amp;eacute; uma boa maneira de come&amp;ccedil;ar o s&amp;aacute;bado. Sempre haver&amp;aacute; conhecimentos novos a adquirir, at&amp;eacute; porque socializar conhecimento &amp;eacute; a miss&amp;atilde;o do bom jornalismo cient&amp;iacute;fico, categoria da qual o programa faz parte. 

Mas o que mais me agrada, como telespectador do Globo Ci&amp;ecirc;ncia, &amp;eacute; a observa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de como, sem fraudar conte&amp;uacute;dos, o programa transforma a argumenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o cient&amp;iacute;fica em narra&amp;ccedil;&amp;atilde;o jornal&amp;iacute;stica.

Com o apoio uma produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o competente, e com utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos muitos recursos humanos, t&amp;eacute;cnicos e financeiros que tem &amp;agrave; sua disposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, o jornalista Alexandre Henderson (foto), apresentador do programa, faz com talento e seguran&amp;ccedil;a essa transposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o discursiva. Com bom uso das t&amp;eacute;cnicas jornal&amp;iacute;sticas, coloca em formas narrativas a express&amp;atilde;o argumentativa da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o cient&amp;iacute;fica.&amp;nbsp; E assim difunde e torna socialmente compreens&amp;iacute;veis saberes produzidos pela ci&amp;ecirc;ncia.&amp;nbsp; 

Na condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de telespectador regular do Globo Ci&amp;ecirc;ncia, vez por outra me dou ao prazer de desconstruir recortes do programa. E nesse exerc&amp;iacute;cio encontro o aprendizado que mais me interessa: ver como as artes e as t&amp;eacute;cnicas da narra&amp;ccedil;&amp;atilde;o podem quebrar o hermetismo especializado do discurso cient&amp;iacute;fico, preservando, ao mesmo tempo, a ess&amp;ecirc;ncia e a confiabilidade das revela&amp;ccedil;&amp;otilde;es que faz. 

Para conseguir esse resultado, Alexandre Henderson assume plenamente o papel de narrador, ao eleger, como interlocutor priorit&amp;aacute;rio, o telespectador a seduzir ou j&amp;aacute; seduzido pela hist&amp;oacute;ria contada. Nessa estrat&amp;eacute;gia narrativa, o cientista-fonte transforma-se em protagonista da trama, em cujas falas est&amp;atilde;o sempre os &amp;aacute;pices decisivos e os avales do conhecimento socializado. 

&amp;Eacute; particularmente interessante observar como a linguagem da televis&amp;atilde;o, com&amp;nbsp;seus usos e recursos cada vez mais cinematogr&amp;aacute;ficos, favorece a narratividade jornal&amp;iacute;stica, gra&amp;ccedil;as &amp;agrave;s muitas possibilidades de combinar, art&amp;iacute;stica e pedagogicamente, resumos descritivos do narrador com&amp;nbsp;interven&amp;ccedil;&amp;otilde;es faladas dos protagonistas. Podemos at&amp;eacute; dizer que nessas combina&amp;ccedil;&amp;otilde;es est&amp;aacute; &amp;ldquo;o xis da quest&amp;atilde;o&amp;rdquo;, nas artes de narrar. 

E at&amp;eacute; segunda-feira, porque o domingo ser&amp;aacute; de descanso.</description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=432</link>
	</item>
	<item>
		 <title>28-05-2010 - Alianças e corrupção</title>
		  <pubDate>28/05/2010</pubDate>
		<description>Alian&amp;ccedil;as para 
o desgoverno
Dos jornais de hoje recorto, para comentar, duas frases convergentes no sentido, embora se refiram a coisas diferentes.

A primeira encerra o principal editorial do Estad&amp;atilde;o: &amp;ldquo;Governar bem &amp;eacute; quase imposs&amp;iacute;vel, quando se depende de alian&amp;ccedil;as num sistema partid&amp;aacute;rio como o brasileiro&amp;rdquo;. A segunda &amp;eacute; extra&amp;iacute;da do notici&amp;aacute;rio do dia: &amp;ldquo;O Portal da Transpar&amp;ecirc;ncia disponibiliza desde ontem informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es sobre receitas e despesas efetuadas diariamente pelo governo federal, governos estaduais e pelas prefeituras dos 273 munic&amp;iacute;pios com mais de 100 mil habitantes&amp;rdquo;.

O ponto de converg&amp;ecirc;ncia das duas frases est&amp;aacute; na sonora palavrinha que d&amp;aacute; nome &amp;agrave; mais end&amp;ecirc;mica praga brasileira - CORRUP&amp;Ccedil;&amp;Atilde;O. 

Trata-se de um mal da p&amp;aacute;tria dividido em tr&amp;ecirc;s categorias; a recompensa escondida, em troca de favores escusos; o nepotismo, que vem a ser a distribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o de empregos entre parentes, por crit&amp;eacute;rios que nada t&amp;ecirc;m a ver com o m&amp;eacute;rito; e o peculato, nome dado ao crime de desvio ou apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de verbas p&amp;uacute;blicas, para ganhos privados. 

Eis a&amp;iacute; os dutos que nutrem e d&amp;atilde;o sustenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao velho jogo do toma-l&amp;aacute;-d&amp;aacute;-c&amp;aacute;, no qual s&amp;atilde;o concebidas e paridas as alian&amp;ccedil;as pol&amp;iacute;tico-partid&amp;aacute;rias na nossa democracia. E porque o governo Lula n&amp;atilde;o mudou as coisas, nem fez por isso, vivemos agora um per&amp;iacute;odo em que o velho jogo do toma-l&amp;aacute;-d&amp;aacute;-c&amp;aacute; est&amp;aacute; em alta, agitado pelos apetites eleitorais.

Corremos, portanto, mais uma vez, o s&amp;eacute;rio risco de continuarmos a ser governados por alian&amp;ccedil;as meramente oportunistas, que t&amp;ecirc;m como &amp;uacute;nica raz&amp;atilde;o de ser o desfrute das benesses do poder.

Mas eis que surge uma luz no fundo do t&amp;uacute;nel da corrup&amp;ccedil;&amp;atilde;o institucional brasileira. O Portal da Transpar&amp;ecirc;ncia, agora com informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es di&amp;aacute;rias sobre os gastos p&amp;uacute;blicos, ganha for&amp;ccedil;a como ferramenta de educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica e combate efetivo &amp;agrave; corrup&amp;ccedil;&amp;atilde;o. O que apavora corruptos e corruptores &amp;eacute; a informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o livre e &amp;aacute;gil, acess&amp;iacute;vel a todos os cidad&amp;atilde;os eleitores. E esse &amp;eacute; o papel atribu&amp;iacute;do ao Portal da Transpar&amp;ecirc;ncia pela Lei de Responsabilidade Social, que o criou.

E que a imprensa n&amp;atilde;o se omita!</description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=431</link>
	</item>
	<item>
		 <title>27-05-2010 - Congreeso Mega</title>
		  <pubDate>27/05/2010</pubDate>
		<description>Comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o, 
ingrediente vital 
da Sustentabilidade
S&amp;atilde;o 13 horas e acabo de sair do Congresso Mega Brasil de Comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;nbsp; 2010, onde apresentei um workshop sobre &amp;ldquo;Reda&amp;ccedil;&amp;atilde;o Criativa em Comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o Empresarial&amp;rdquo; &amp;ndash; mero detalhe no variado e atual&amp;iacute;ssimo&amp;nbsp; conte&amp;uacute;do do programa, dedicado &amp;agrave;s rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es complexas entre Comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o e Sustentabilidade do Planeta. 

Por m&amp;eacute;ritos acumulados ao longo de quase 20 anos, os Congressos anuais da Mega Brasil conquistaram merecida relev&amp;acirc;ncia entre os eventos que fazem no Brasil o debate profissional e acad&amp;ecirc;mico da Comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o Corporativa e da Comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o P&amp;uacute;blica &amp;ndash; tem&amp;aacute;ticas antes discutidas em eventos separados no calend&amp;aacute;rio da Mega,&amp;nbsp; mas que este ano se juntaram num s&amp;oacute; Congresso.

Em n&amp;uacute;meros redondos, mil profissionais do ramo se inscreveram e l&amp;aacute; est&amp;atilde;o h&amp;aacute; dois dias, no Centro de Conven&amp;ccedil;&amp;otilde;es Rebou&amp;ccedil;as (S&amp;atilde;o Paulo), e l&amp;aacute; estar&amp;atilde;o at&amp;eacute; o final de amanh&amp;atilde; (28/05), participando do que mais lhes interessa, na vasta programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de temas e subtemas relacionados com os &amp;ldquo;Pactos e impactos da Comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o para um Planeta Sustent&amp;aacute;vel&amp;rdquo;. Essa, a quest&amp;atilde;o central dos debates. E as complexidades desse tema-chave foram e/ou est&amp;atilde;o sendo dissecadas em 12 confer&amp;ecirc;ncias, 38 palestras, cinco workshops e cinco encontros setoriais da &amp;Aacute;rea P&amp;uacute;blica. 

No total, 100 palestrantes foram convidados, alguns deles vindos do exterior.

Da minha parte, no workshop que me coube, falei da criatividade como parte integrante do universo da intelig&amp;ecirc;ncia, que deve ser continuamente&amp;nbsp; nutrida para que possa ser criativa. E deixei a quem me ouviu o seguinte axioma, essencial para todos n&amp;oacute;s, profissionais da comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o, qualquer que seja o ambiente em que trabalhamos: - Escrevemos e falamos para pessoas, n&amp;atilde;o para empresas ou institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es. E com pessoas interagimos, no uso comum das linguagens.

Amanh&amp;atilde; aqui estarei de volta, com outro recorte.</description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=430</link>
	</item>
	<item>
		 <title>26-05-2010 - Lula objeto e sujeito</title>
		  <pubDate>26/05/2010</pubDate>
		<description>Lula, objeto 
e sujeito nas tramas 
da comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o
Embora a CDN (n&amp;atilde;o por acaso associada &amp;agrave; Fleishman-Hillard, segunda maior ag&amp;ecirc;ncia internacional de Rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es P&amp;uacute;blicas) tivesse sido contratada em 2008, por R$ 15 milh&amp;otilde;es/ano, a Diretoria Internacional da Secretaria de Comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Presid&amp;ecirc;ncia da Rep&amp;uacute;blica, SECOM, come&amp;ccedil;ou efetivamente a funcionar em Mar&amp;ccedil;o de 2009, com a sua dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o entregue ao diplomata Rodrigo Baena Soares. Um ano depois, em festivo balan&amp;ccedil;o apresentado recentemente &amp;agrave; imprensa pelo diretor Baena Soares, foi-nos dito que a atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o internacional da Secom resultou numa divulga&amp;ccedil;&amp;atilde;o de 2.500 reportagens sobre o Brasil, tendo como foco difusor preponderante os 38 principais ve&amp;iacute;culos de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o das Am&amp;eacute;ricas, Europa e &amp;Aacute;sia, entre meios impressos, eletr&amp;ocirc;nicos e digitais. E tamb&amp;eacute;m soubemos que, para o atendimento di&amp;aacute;rio da imprensa internacional, h&amp;aacute; na Secom uma equipe permanente de dez jornalistas, cinco ou seis deles da CDN.

Em boa parte, as reportagens &amp;ldquo;emplacadas&amp;rdquo; foram feitas por jornalistas que aqui vieram a convite, &amp;agrave; custa do or&amp;ccedil;amento de R$ 15 milh&amp;otilde;es/ano confiado &amp;agrave; CDN. Mas h&amp;aacute; que creditar outra boa parte da divulga&amp;ccedil;&amp;atilde;o conseguida ao aproveitamento jornal&amp;iacute;stico das muitas andan&amp;ccedil;as internacionais do presidente Lula, que sempre viaja na dupla miss&amp;atilde;o de Presidente da Rep&amp;uacute;blica e de garoto-propaganda do Brasil. Assim, as viagens presidenciais passaram a ser cuidadosamente planejadas tamb&amp;eacute;m na perspectiva da divulga&amp;ccedil;&amp;atilde;o, com o agendamento pr&amp;eacute;vio de entrevistas em programas e ve&amp;iacute;culos de grande audi&amp;ecirc;ncia. 

N&amp;atilde;o h&amp;aacute; como negar m&amp;eacute;ritos&amp;nbsp;ao enorme sucesso comunicacional do projeto. Mas h&amp;aacute; que entend&amp;ecirc;-lo sem o ufanismo dos balan&amp;ccedil;os oficiais.

Na vers&amp;atilde;o oficial, a Diretoria Internacional da Secom foi criada para promover no mundo a marca &amp;ldquo;Brasil&amp;rdquo;, tendo em vista o incremento das exporta&amp;ccedil;&amp;otilde;es e a atra&amp;ccedil;&amp;atilde;o de investimentos e turistas. Prudentemente, a promo&amp;ccedil;&amp;atilde;o da figura do presidente Lula n&amp;atilde;o faz parte dos objetivos formais do projeto. 

A verdade, por&amp;eacute;m, &amp;eacute; que, em tempos de crise mundial, tanto as exporta&amp;ccedil;&amp;otilde;es brasileiras quanto o ingresso de capitais externos para investimentos ca&amp;iacute;ram a n&amp;iacute;veis que alguns analistas consideram preocupantes. J&amp;aacute; em escala oposta, a figura pol&amp;iacute;tica de Lula conquistou asas e poder de mito, no espa&amp;ccedil;o das cren&amp;ccedil;as mundiais (ver texto de ontem). 

E enquanto cada um pensar&amp;aacute; o que quiser, anuncio para amanh&amp;atilde; um novo &amp;ldquo;Recorte do Dia&amp;rdquo;.</description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=429</link>
	</item>
	<item>
		 <title>25-05-2010 - Lula em asas de mito</title>
		  <pubDate>25/05/2010</pubDate>
		<description>Lula, voando&amp;nbsp;
com asas de mito
O Planalto&amp;nbsp;desmente, mas os jornais insistem, e neles, as fontes que os abastecem (quase todas oficiais, ainda que ocultas): Lula quer patamar de poder pr&amp;oacute;prio em um dos dois grandes poleiros da cena mundial - a secretaria geral da ONU ou a presid&amp;ecirc;ncia do Banco Mundial. As not&amp;iacute;cias, inclusive as dos desmentidos, fazem parte de receitu&amp;aacute;rio muito usada na comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica, em combina&amp;ccedil;&amp;otilde;es controladas e perversas de tr&amp;ecirc;s categorias de ingredientes: boatos, ind&amp;iacute;cios e frases de efeito, calibradas pela notoriedade de quem as diz, expondo a cara ou escondendo-se atr&amp;aacute;s do off. 

Nesse tipo de jogo, s&amp;oacute; o tempo nos dir&amp;aacute; onde termina a mentira e come&amp;ccedil;a a verdade. Ou vice-versa.

Verdade, por enquanto, garanto uma:&amp;nbsp; legalmente, por licita&amp;ccedil;&amp;atilde;o, a ag&amp;ecirc;ncia CDN foi contratada pelo governo em julho de 2008, ao pre&amp;ccedil;o de R$ 15 milh&amp;otilde;es/ano, para trabalhar a imagem do Brasil no exterior, tendo a notoriedade de Lula como principal eixo argumentativo de&amp;nbsp;convencimento. E a CDN n&amp;atilde;o brinca em servi&amp;ccedil;o: s&amp;oacute; em 2009, conseguiu emplacar pelo menos 110 entrevistas de Lula na m&amp;iacute;dia internacional, quase metade delas dadas com exclusividade &amp;agrave;s mais prestigiadas redes do Planeta. 

Lula voa hoje com asas de mito nos c&amp;eacute;us do mundo. O que exige cuidados - e tanto a CDN quanto o competente Franklin Martins, e o pr&amp;oacute;prio Lula, sabem disso. Porque mito, meus amigos, &amp;eacute;&amp;nbsp;um discurso ambulante em que se acredita. At&amp;eacute; que nele se acredite. 

Amanh&amp;atilde; contarei um pouco mais dessa hist&amp;oacute;ria.</description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=428</link>
	</item>
	<item>
		 <title>Brent Cunningham</title>
		  <pubDate>24/05/2010</pubDate>
		<description>Terceira&amp;nbsp; conversa com Brent Cunningham
A crise &amp;eacute; boa e tem nome:
&amp;ldquo;Revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o das Fontes&amp;rdquo;

Meu caro Brent:

Encerro hoje esta nossa conversa, em sua terceira parte, com uma curta reflex&amp;atilde;o sobre algo a que chamo de &amp;ldquo;Revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o das Fontes&amp;rdquo;.

Como voc&amp;ecirc; sabe, tornou-se rotina o agendamento jornal&amp;iacute;stico dos mesmos assuntos, a reprodu&amp;ccedil;&amp;atilde;o das mesmas falas e imagens, a mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos rep&amp;oacute;rteres de todos os jornais para a cobertura dos mesmos acontecimentos &amp;ndash; fatos, dizeres, atos planejados e controlados por pessoas ou institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es competentes, que por meio dos meios jornal&amp;iacute;sticos agem no mundo e interferem na atualidade. 

Nada de mal existe nisso, claro. Ao contr&amp;aacute;rio: a compet&amp;ecirc;ncia de produzir e difundir discursos sob a forma de acontecimentos &amp;eacute; uma riqueza democr&amp;aacute;tica e um direito de cidadania. Claro que os poderosos da economia e da pol&amp;iacute;tica se beneficiam disso. Gra&amp;ccedil;as, por&amp;eacute;m, ao mesmo processo, tamb&amp;eacute;m as minorias organizadas (os homossexuais, as etnias, os portadores de defici&amp;ecirc;ncia...) e os movimentos de vanguarda (os sem-terra, os ambientalistas...) colocam com sucesso seus discursos na sociedade. 

Embora pouco se fale delas, as fontes fizeram uma revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o. E a crise &amp;eacute; esta, Brent, e boa, recheada de contradi&amp;ccedil;&amp;otilde;es: o discurso jornal&amp;iacute;stico perdeu autonomia, porque em vez de agendar, &amp;eacute; agendado. E seduzido por acontecimentos que j&amp;aacute; nascem com recheios elaborados para o relato jornal&amp;iacute;stico.

O jornalismo n&amp;atilde;o ficou &amp;agrave; margem do processo, nem perdeu import&amp;acirc;ncia. Ao contr&amp;aacute;rio: jamais foi t&amp;atilde;o importante para o sucesso dos processos sociais. Acontece que as fontes sabem mais da atualidade do que as reda&amp;ccedil;&amp;otilde;es, porque a produzem, em ritmo alucinante, de forma intencional, interessada. E lhe imp&amp;otilde;em uma l&amp;oacute;gica de conflito que atribui novos pap&amp;eacute;is ao jornalismo, exigindo dele, como linguagem e ambiente do relato e da an&amp;aacute;lise, uma voca&amp;ccedil;&amp;atilde;o de compromisso com valores. Porque os conflitos da atualidade devem ter boas raz&amp;otilde;es de ser. As raz&amp;otilde;es dos valores &amp;eacute;ticos.&amp;nbsp; 

Sim, existe hoje um problema grave: o jornalismo est&amp;aacute; falhando na rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o cr&amp;iacute;ticae independente que deveria ter com os conflitos da atualidade. Talvez atordoadas pela avalanche di&amp;aacute;ria de fatos e falas notici&amp;aacute;veis, as reda&amp;ccedil;&amp;otilde;es perderam a vontade de investigar por conta pr&amp;oacute;pria. E sem investiga&amp;ccedil;&amp;atilde;o jornal&amp;iacute;stica independente n&amp;atilde;o h&amp;aacute; como atribuir, ao que acontece, significados intelectualmente honestos e perspectivas de interesse p&amp;uacute;blico.

E por aqui fico, prezado Brent Cunningham. Com a esperan&amp;ccedil;a de um dia podermos pessoalmente dar prosseguimento &amp;agrave; troca de ideias.

Grande abra&amp;ccedil;o!

Carlos Chaparro</description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=427</link>
	</item>
	<item>
		 <title>24-05-2010 - Folha-reforma</title>
		  <pubDate>24/05/2010</pubDate>
		<description>Embalagem nova
para velhos conceitos
No texto na edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de ontem sobre as raz&amp;otilde;es da reforma da Folha&amp;nbsp; (&amp;ldquo;Sete vidas do Jornalismo&amp;rdquo;), Ot&amp;aacute;vio Frias Filho nos diz que a festiva mudan&amp;ccedil;a veio em fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um conceito de Jornalismo de Qualidade. S&amp;oacute; que, ao explicitar esse conceito - exatid&amp;atilde;o do que se publica, relev&amp;acirc;ncia coletiva dos temas que aborda e manuten&amp;ccedil;&amp;atilde;o do debate p&amp;uacute;blico &amp;ndash; fala de velhas e insuficientes ideias sobre Jornalismo.

Na globalidade do texto que assinou, Otavinho mostra que a Folha continua amarrada &amp;agrave; cren&amp;ccedil;a egoc&amp;ecirc;ntrica, arrogante, que v&amp;ecirc; o jornalismo como centro do mundo, ao redor do qual tudo o resto gira. Passivamente. 

O texto de Otavinho n&amp;atilde;o cont&amp;eacute;m uma s&amp;oacute; frase de reflex&amp;atilde;o sobre as profundas mudan&amp;ccedil;as ocorridas do mundo, depois que, no uso das modernas tecnologias de difus&amp;atilde;o, os sujeitos sociais organizados se apropriaram da Not&amp;iacute;cia. E nem prop&amp;otilde;e qualquer id&amp;eacute;ia sobre os novos papeis que cabem ao Jornalismo, numa sociedade que cada vez mais o usa como mensageiro.

Quanto &amp;agrave; reforma propriamente dita, ela deve ser observada ao longo de pelo menos uma semana, para que possa ser honestamente avaliada. &amp;Eacute; o que farei.</description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=426</link>
	</item>
	<item>
		 <title>Crise, castigo merecido</title>
		  <pubDate>24/05/2010</pubDate>
		<description>Crise, castigo merecido
Quando irrompem,&amp;nbsp; as crises s&amp;atilde;o, quase sempre, merecido castigo para  quem zela mal pela identidade das empresa ou institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es atingidas.&amp;nbsp;&amp;nbsp;</description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=425</link>
	</item>
	<item>
		 <title>Conversa com Brent Cunningham</title>
		  <pubDate>18/05/2010</pubDate>
		<description>Segunda conversa
com Brent Cunningham (foto) 
O Jornalismo precisa de bons leitores, tanto quanto de boas fontes &amp;ndash; que hoje s&amp;atilde;o sujeitos sociais no pleno exerc&amp;iacute;cio do DIREITO DE DIZER.

Meu caro Brent Cunningham:

Ainda sobre as complexidades do Jornalismo no mundo atual, fa&amp;ccedil;o quest&amp;atilde;o de retomar o nosso di&amp;aacute;logo com a transcri&amp;ccedil;&amp;atilde;o do artigo 19 da Declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o Universal dos Direitos Humanos &amp;ndash; que voc&amp;ecirc; conhece t&amp;atilde;o bem quanto eu:

Toda pessoa tem direito &amp;agrave; liberdade de opini&amp;atilde;o e express&amp;atilde;o; este direito inclui a liberdade de, sem interfer&amp;ecirc;ncia, ter opini&amp;otilde;es e de procurar, receber e transmitir informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es e id&amp;eacute;ias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

Portanto, Brent, o direito &amp;agrave; informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o est&amp;aacute; limitado &amp;agrave;s demandas do indiv&amp;iacute;duo cidad&amp;atilde;o por informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es e opini&amp;otilde;es sobre o que acontece, para que possa organizar as suas rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es com o mundo em que vive; o artigo 19 da Declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o Universal dos Direitos Humanos estabelece, tamb&amp;eacute;m, que o direito &amp;agrave; informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o inclui o direito dos cidad&amp;atilde;os (individualmente ou organizados) espalharem ao mundo as suas pr&amp;oacute;prias informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es e ideias. E assim dever&amp;aacute; ser para que, pelo exerc&amp;iacute;cio c&amp;iacute;vico do &amp;ldquo;EU&amp;rdquo;, todos possam colocar e defender seus pleitos e suas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es por Justi&amp;ccedil;a, Liberdade, Democracia, Igualdade, Dignidade, Solidariedade, Paz, Fraternidade &amp;ndash; valores b&amp;aacute;sicos que d&amp;atilde;o fundamento &amp;agrave; s&amp;iacute;ntese contida no primeiro e mais bonito artigo da Declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o: Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos.

&amp;Eacute; esse conceito complexo do Direito &amp;agrave; Informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o que d&amp;aacute; grandeza ao Jornalismo, como linguagem narradora e argumentativa colocada &amp;agrave; disposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Sociedade. E tentarei definir Sociedade como o ente abstrato situado no espa&amp;ccedil;o da Vida Social, constitu&amp;iacute;do por valores que lhe d&amp;atilde;o o substrato da idealiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;ldquo;do que deve ser feito&amp;rdquo;. E em fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;ldquo;do que deve ser feito&amp;rdquo; caminha a Hist&amp;oacute;ria da Cidadania, produto da experi&amp;ecirc;ncia humana de viver, movida a conflitos e acordos.&amp;nbsp;&amp;nbsp; 

Portanto, da Sociedade em movimento, e dos seus protagonistas, brotam as a&amp;ccedil;&amp;otilde;es e os conte&amp;uacute;dos que nutrem a narra&amp;ccedil;&amp;atilde;o e a argumenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o jornal&amp;iacute;sticas. Ou voc&amp;ecirc; acha que, em 1972, Bob Woodward e Carl Bernstein teriam conseguido realizar a gloriosa reportagem do esc&amp;acirc;ndalo Watergate sem a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Mark Felt, o &amp;ldquo;garganta profunda&amp;rdquo;, na ocasi&amp;atilde;o o segundo homem na hierarquia do FBI? 

Vou al&amp;eacute;m, aprofundando a pergunta: a quem deve ser atribu&amp;iacute;do o mais decisivo protagonismo nessa hist&amp;oacute;ria - aos dois jornalistas que realizaram brilhantemente o seu trabalho de&amp;nbsp; socializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um conte&amp;uacute;do que mudaria a hist&amp;oacute;ria dos Estados Unidos? Ou ao homem que tinha e detinha n&amp;atilde;o s&amp;oacute; as informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es, mas tamb&amp;eacute;m a capacidade de an&amp;aacute;lise com que orientou os rep&amp;oacute;rteres, para a revela&amp;ccedil;&amp;atilde;o convincente do esc&amp;acirc;ndalo que derrubou Nixon?

O que quero dizer, Brent, &amp;eacute; que n&amp;atilde;o podemos entender nem explicar o Jornalismo olhando apenas para a nossa interlocu&amp;ccedil;&amp;atilde;o com os leitores. 

N&amp;atilde;o melhoraremos o Jornalismo apenas com a educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos leitores, miss&amp;atilde;o que deveria ser atribu&amp;iacute;da preferencialmente &amp;agrave;s escolas. &amp;Eacute; preciso, Brent, educar tamb&amp;eacute;m as fontes, respeitando e valorizando nelas a import&amp;acirc;ncia que t&amp;ecirc;m na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o da atualidade e da democracia. E essa &amp;eacute; certamente uma tarefa importante a ser delegada aos muito profissionais de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o (inclusive jornalistas) que atuam em institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es, empresas e associa&amp;ccedil;&amp;otilde;es onde a not&amp;iacute;cia &amp;eacute; gerada.

Em resumo, caro Brent, n&amp;atilde;o h&amp;aacute; bom jornalismo sem bons leitores. Mas o jornalismo n&amp;atilde;o ter&amp;aacute; o que contar aos leitores sem a contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o de boas fontes. Portanto, sem boas fontes tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o haver&amp;aacute; bom jornalismo.

Pode ser at&amp;eacute; que os jornalistas ainda n&amp;atilde;o tenham descoberto isso. Mas as fontes, sim, j&amp;aacute; o descobriram. E ocuparam deliberadamente espa&amp;ccedil;o e lugares pr&amp;oacute;prios nos cen&amp;aacute;rios e nas cenas da Atualidade, no exerc&amp;iacute;cio do sagrado DIREITO DE DIZER &amp;ndash; aquele, do Artigo 19.

Sobre isso escreverei no pr&amp;oacute;ximo e &amp;uacute;ltimo texto desta nossa conversa, a ser postado em algum dos pr&amp;oacute;ximos dias.

At&amp;eacute; l&amp;aacute;, Brent!

Carlos Chaparro 

* Leia tamb&amp;eacute;m o texto anterior deste di&amp;aacute;logo.
</description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=424</link>
	</item>
	<item>
		 <title>No twitter, a liberdade de dizer</title>
		  <pubDate>14/05/2010</pubDate>
		<description>No twitter, a liberdade de dizer
As empresas, as institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es e os grupos organizados avan&amp;ccedil;am cada vez mais no uso t&amp;aacute;tico e estrat&amp;eacute;gico do twitter, como ferramenta de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o. J&amp;aacute; existem, at&amp;eacute;, os twitters corporativos e os twitters de eventos.

Ainda assim, o twitter &amp;eacute;, e continuar&amp;aacute; a ser, a m&amp;iacute;dia digital das pessoas, para o acesso individual &amp;agrave; liberdade de express&amp;atilde;o. .</description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=423</link>
	</item>
	<item>
		 <title>Combate à corrupção eleitoral</title>
		  <pubDate>13/05/2010</pubDate>
		<description>Se o Congresso nos trair...
...Eleitor pode rejeitar 
&amp;ldquo;fichas sujas&amp;rdquo;&amp;nbsp; na boca da urna 

O projeto de lei que pro&amp;iacute;be a candidatura de pol&amp;iacute;ticos condenados pela Justi&amp;ccedil;a j&amp;aacute; est&amp;aacute; no Senado, &amp;agrave; espera que os senadores cumpram o dever de aprov&amp;aacute;-lo em regime de urg&amp;ecirc;ncia, sem altera&amp;ccedil;&amp;otilde;es no texto recebido da C&amp;acirc;mara dos Deputados. Mas Romero Juc&amp;aacute;, o l&amp;iacute;der do governo, j&amp;aacute; avisou: &amp;ldquo;Aqui n&amp;atilde;o haver&amp;aacute; pressa para aprovar esse projeto de lei. N&amp;atilde;o abriremos m&amp;atilde;o da urg&amp;ecirc;ncia para os projetos do Pr&amp;eacute;-Sal&amp;rdquo;.

Diante disso, vale a fala do advogado Marcos Guerra, membro Comiss&amp;atilde;o Brasileira de Justi&amp;ccedil;a e Paz&amp;nbsp; da CNBB, e que nessa condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o participou da campanha do &amp;ldquo;Projeto Ficha Limpa&amp;rdquo; lan&amp;ccedil;ada pelo do Movimento de Combate &amp;agrave; Corrup&amp;ccedil;&amp;atilde;o Eleitoral:

&amp;ldquo;Se o Congresso Nacional optar por uma queda de bra&amp;ccedil;o, a probabilidade de ganhar &amp;eacute; pequena, porque os movimentos sociais podem partir para outra estrat&amp;eacute;gia de luta, a de levar a quest&amp;atilde;o &amp;agrave; discuss&amp;atilde;o p&amp;uacute;blica. O Movimento de Combate &amp;agrave; Corrup&amp;ccedil;&amp;atilde;o Eleitoral tem um slogan: 'Voto n&amp;atilde;o tem pre&amp;ccedil;o, tem consequ&amp;ecirc;ncia'. Ent&amp;atilde;o, seria uma briga do Congresso com a evolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o das consci&amp;ecirc;ncias.&amp;rdquo;&amp;nbsp; 

Ou seja: se o Congresso mais uma vez nos trair,&amp;nbsp;o eleitor pode decidir a quest&amp;atilde;o na boca da urna, excluindo do voto os candidatos com ficha suja.&amp;nbsp;</description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=421</link>
	</item>
	<item>
		 <title>Postigo do Diálogo - Brent unningham</title>
		  <pubDate>13/05/2010</pubDate>
		<description>Conversa (1) com Brent 
Cunningham, sobre as novas complexidades do Jornalismo 

N&amp;atilde;o nos conhecemos, caro Brent Cunningham.&amp;nbsp; E &amp;eacute; prov&amp;aacute;vel que jamais nos encontremos. Mas para quem escreve e para quem l&amp;ecirc;, todas as dist&amp;acirc;ncias temporais e espaciais s&amp;atilde;o relativas. E eu te conhe&amp;ccedil;o, Brent, pelos textos&amp;nbsp; que escreves, e que de vez em quando leio. 

Interessei-me, particularmente, pelas inquieta&amp;ccedil;&amp;otilde;es que exp&amp;otilde;es no artigo publicado ontem, 12 de Maio, n&amp;rsquo;O Estado de S. Paulo (p. A14), com tradu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Augusto Calil. E gostaria de trocar algumas ideias contigo sobre esse texto &amp;ndash; assinado por ti e por Alan C. Miller, fundador e diretor do importante The News Literacy Project (Centro de Alfabetiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o Jornal&amp;iacute;stica, na tradu&amp;ccedil;&amp;atilde;o que o pr&amp;oacute;prio artigo faz). 

Por&amp;eacute;m, antes de entrar no bate-papo, devo apresentar-te aos muitos leitores que acompanham o nosso di&amp;aacute;logo e para os quais o Postigo tamb&amp;eacute;m est&amp;aacute; aberto. Assim, amigos internautas freq&amp;uuml;entadores deste espa&amp;ccedil;o, tenho o prazer de vos apresentar o jornalista, professor e pesquisador Brent Cunningham (foto), editor executivo da Columbia Journalism Review, vinculada &amp;agrave; Escola de Jornalismo da Columbia University, e que desde 1961, ano em que foi fundada, &amp;eacute; uma das mais importantes publica&amp;ccedil;&amp;otilde;es acad&amp;ecirc;micas americanas, na cr&amp;iacute;tica e na an&amp;aacute;lise das pr&amp;aacute;ticas jornal&amp;iacute;sticas.&amp;nbsp; 

Posto isto, caro Brent , retomo a nossa conversa dizendo que gostei bastante do artigo ontem publicado n&amp;rsquo;O Estado de S. Paulo. Nele, tu e o Alan exp&amp;otilde;em inquieta&amp;ccedil;&amp;otilde;es e perplexidades que s&amp;atilde;o tamb&amp;eacute;m de todos n&amp;oacute;s, profissionais e estudiosos do Jornalismo, olhando-o como bem p&amp;uacute;blico.&amp;nbsp; Mas discordo da perspectiva que organiza a vossa an&amp;aacute;lise da crise que o mundo atual imp&amp;otilde;e ao jornalismo. 

Na verdade, a crise n&amp;atilde;o &amp;eacute; do Jornalismo, mas do mundo, que vive o mais acelerada, complicada e fascinante fase de transforma&amp;ccedil;&amp;otilde;es socioculturais, em decorr&amp;ecirc;ncia da revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica que, entre outras desorganiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es e reorganiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es produzidas, tirou do jornalismo tradicional o poder sobre a Not&amp;iacute;cia.

Esta nossa conversa, caro Brent, se estender&amp;aacute; por tr&amp;ecirc;s ou quatro dias, e j&amp;aacute; amanh&amp;atilde; voltarei a ela. Mas, como intr&amp;oacute;ito, deixo hoje aqui duas id&amp;eacute;ias, a partir das quais os desdobramentos se dar&amp;atilde;o.

1 &amp;ndash; As tecnologias da difus&amp;atilde;o instant&amp;acirc;nea e universal enterraram na marcha do tempo as cren&amp;ccedil;as e os conceitos que davam ao Jornalismo pleno poder sobre a Not&amp;iacute;cia. Quatro d&amp;eacute;cadas atr&amp;aacute;s, os te&amp;oacute;ricos do Jornalismo diziam que a Not&amp;iacute;cia s&amp;oacute; o seria, se captada, processada e difundida por jornalistas. Assim, n&amp;atilde;o haveria Not&amp;iacute;cia sem jornalistas e sem reda&amp;ccedil;&amp;otilde;es organizadas. Na base desse conceito estava a convic&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que a Atualidade fazia parte do Jornalismo, servindo-o como fonte passiva de mat&amp;eacute;ria-prima. Hoje, n&amp;atilde;o h&amp;aacute; como sustentar essa cren&amp;ccedil;a. Ao contr&amp;aacute;rio do que ent&amp;atilde;o se propunha, &amp;eacute; o Jornalismo que faz parte da Atualidade, e a serve, como linguagem e espa&amp;ccedil;o p&amp;uacute;blico dos embates discursivos, entre sujeitos sociais que usam a Not&amp;iacute;cia, e seus predicados jornal&amp;iacute;sticos, como forma eficaz de agir e interagir discursivamente nos conflitos do mundo, e na dimens&amp;atilde;o do presente, reelaborando-o.

2 &amp;ndash; Em tempos idos, o poder das reda&amp;ccedil;&amp;otilde;es sobre a Not&amp;iacute;cia era sustentado pelo intervalo que havia entre o Acontecimento e o seu relato jornal&amp;iacute;stico, controlado pelas reda&amp;ccedil;&amp;otilde;es. As tecnologias de difus&amp;atilde;o acabaram com esse intervalo. E ao ser criada a possibilidade da difus&amp;atilde;o instant&amp;acirc;nea e universal dos fatos importantes, a Not&amp;iacute;cia passou a fazer parte do Acontecimento, como seu n&amp;uacute;cleo essencial, o n&amp;uacute;cleo discursivo.&amp;nbsp; Assim, quem gera e controla o Acontecimento, gera e controla a Not&amp;iacute;cia.

Portanto, Brent, n&amp;atilde;o &amp;eacute; mais poss&amp;iacute;vel compreender, analisar e discutir o Jornalismo de hoje olhando apenas para os leitores, como se eles fossem os nossos &amp;uacute;nicos interlocutores e a &amp;uacute;nica raz&amp;atilde;o de ser do nosso trabalho.&amp;nbsp;

&amp;Eacute; imposs&amp;iacute;vel, Brent, compreender, analisar e discutir o Jornalismo de hoje sem a percep&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que a Atualidade deste nosso mundo informacional (da qual o Jornalismo faz parte) &amp;eacute; movida pelo vigor, pela contund&amp;ecirc;ncia, pela compet&amp;ecirc;ncia e pela velocidade dos conte&amp;uacute;dos gerados na teia universal dos sujeitos sociais com natureza e identidade institucional. Teia em espantoso ritmo de expans&amp;atilde;o, nas muitas veredas da democracia participativa. E sujeitos essencialmente falantes, legitimamente falantes,&amp;nbsp;que, como institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es, agem&amp;nbsp; pelo que dizem e dizem pelo que fazem &amp;ndash; usando o Jornalismo como linguagem socializadora eficaz e como espa&amp;ccedil;o p&amp;uacute;blico dos conflitos discursivos em que se envolvem.

Por isso o Jornalismo est&amp;aacute; em crise. Mas crise de crescimento. Porque jamais o Jornalismo foi t&amp;atilde;o importante para os processos sociais quanto hoje o &amp;eacute;. O que lhe d&amp;aacute; novas e inovadoras complexidades.

Amanh&amp;atilde;, caro Brent Cunningham,&amp;nbsp; voltarei a abrir o Postigo do Di&amp;aacute;logo, para prosseguirmos nesta nossa conversa.&amp;nbsp; At&amp;eacute; l&amp;aacute;!

Carlos Chaparro</description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=422</link>
	</item>
	<item>
		 <title>Corrupção legal</title>
		  <pubDate>05/05/2010</pubDate>
		<description>E viva a corrup&amp;ccedil;&amp;atilde;o legal!
N&amp;atilde;o h&amp;aacute; neste aben&amp;ccedil;oado Pa&amp;iacute;s quem n&amp;atilde;o saiba que as doa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de dinheiro aos partidos pol&amp;iacute;ticos, feitas por empreiteiras interessadas nas obras do governo, fazem parte do difuso universo da CORRUP&amp;Ccedil;&amp;Atilde;O. E s&amp;atilde;o pr&amp;aacute;ticas de corrup&amp;ccedil;&amp;atilde;o, quer a gente as olhe pelas lupas da &amp;Eacute;tica, da Etimologia, da Moral&amp;nbsp;ou da Ci&amp;ecirc;ncia Pol&amp;iacute;tica.

Acontece, por&amp;eacute;m, que tudo &amp;eacute; legal, dizem os protagonistas usu&amp;aacute;rios de tais dutos. O que nos leva ao consolo de sermos, acredito eu,&amp;nbsp;campe&amp;otilde;es mundiais da corrup&amp;ccedil;&amp;atilde;o legal!</description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=419</link>
	</item>
	<item>
		 <title>A sedução das formas e a arte de escrever</title>
		  <pubDate>03/05/2010</pubDate>
		<description>A sedu&amp;ccedil;&amp;atilde;o das formas 
n&amp;atilde;o se op&amp;otilde;e 
&amp;agrave; arte de escrever
Agora que alguns dos mais importantes jonais brasiileiros anunciam reformas em favor de um jornalismo mais criativo e mais cr&amp;iacute;tico, &amp;eacute; oportuno trazer de novo &amp;agrave; primeira p&amp;aacute;gina do blog um texto aqui postado quase um ano atr&amp;aacute;s, a 6 de julho de 2009. E que&amp;nbsp;era assim apresentado:

&amp;quot;&amp;Eacute; lament&amp;aacute;vel que a narra&amp;ccedil;&amp;atilde;o jornal&amp;iacute;stica se tenha desumanizado, a ponto de nela se valorizarem coisas como &amp;iacute;ndices e percentagens, mais do que falas, emo&amp;ccedil;&amp;otilde;es e identidades humanas. Entretanto, continua a haver espa&amp;ccedil;o para rebeldias criativas nas reda&amp;ccedil;&amp;otilde;es. At&amp;eacute; porque &amp;eacute; sempre poss&amp;iacute;vel dar trato de arte ao texto jornal&amp;iacute;stico &amp;ndash; qualquer que seja a forma&amp;quot;.</description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=418</link>
	</item>
	<item>
		 <title>Pirâmide invertida</title>
		  <pubDate>03/05/2010</pubDate>
		<description>Todos est&amp;atilde;o convidados 
para um bom papo sobre o mito da
PIR&amp;Acirc;MIDE INVERTIDA
&amp;ldquo;Professor: (...) Gostaria de saber a sua opini&amp;atilde;o sobre a pir&amp;acirc;mide invertida no jornalismo online.&amp;rdquo;

A quest&amp;atilde;o foi-me enviada por e-mail pela jovem S&amp;iacute;lvia Marques, aluna de Comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o Social nas Faculdades Integradas de V&amp;aacute;rzea Grande, onde cursa o quarto ano de Jornalismo. Prestes, portanto, a ingressar na profiss&amp;atilde;o. E para criar neste espa&amp;ccedil;o o bom costume de dialogar com estudantes, abro hoje o Postigo&amp;nbsp;&amp;agrave; futura colega a&amp;iacute; da foto, que este ano se tornar&amp;aacute; jornalista dignificada pelo diploma.&amp;nbsp; 

Imagino, S&amp;iacute;lvia, que a realiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do teu sonho profissional se dar&amp;aacute; em Cuiab&amp;aacute;, capital do Mato Grosso, onde resides. Ou talvez no outro lado do rio, em V&amp;aacute;rzea Grande, onde estudas. Tanto faz. Porque, embora munic&amp;iacute;p&amp;iacute;o independente desde1948, V&amp;aacute;rzea Grande movimenta-se na mesma malha urbana da capital, j&amp;aacute; que o rio Cuiab&amp;aacute;, atravessado por cinco pontes, mais integra do que separa as duas cidades. 

Cuiab&amp;aacute; e V&amp;aacute;rzea Grande est&amp;atilde;o ligadas por um processo a que os ge&amp;oacute;grafos chamam conurba&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Isso ocorre quando uma cidade em crescimento rompe os limites do seu per&amp;iacute;metro (caso de Cuiab&amp;aacute;) e acaba gerando e integrando outra(s) cidade(s), caso de V&amp;aacute;rzea Grande. 

Entre as muitas travessias que faz do rio Cuiab&amp;aacute;, S&amp;iacute;lvia Marques arranjou tempo e inquieta&amp;ccedil;&amp;otilde;es para provocar-me com a consulta que d&amp;aacute; abertura ao di&amp;aacute;logo do Postigo, l&amp;aacute; atr&amp;aacute;s, no in&amp;iacute;cio do texto. E que conv&amp;eacute;m repetir, mas inserida no texto e no contexto da totalidade do e-mail:

&amp;ldquo;Professor: (...) N&amp;atilde;o concordo com a forma jargosa como a academia explica a pir&amp;acirc;mide invertida. Gostaria de saber a sua opini&amp;atilde;o sobre a pir&amp;acirc;mide invertida no jornalismo online.&amp;rdquo;

Para que todos entendam do que falamos, conv&amp;eacute;m esclarecer que, no jarg&amp;atilde;o das reda&amp;ccedil;&amp;otilde;es, assim como nas simplifica&amp;ccedil;&amp;otilde;es acad&amp;ecirc;micas, pir&amp;acirc;mide invertida &amp;eacute; o formato dado &amp;agrave; not&amp;iacute;cia que come&amp;ccedil;a pelo que &amp;eacute; mais importante. Por analogia, podemos dizer que, na forma da pir&amp;acirc;mide normal, o mais importante d&amp;aacute; fecho &amp;agrave; not&amp;iacute;cia. 

Na Faculdade onde estudas, S&amp;iacute;lvia, j&amp;aacute; te devem ter ensinado que a cultura da pir&amp;acirc;mide invertida surgiu no jornalismo durante a Guerra da Secess&amp;atilde;o (1861-1865). Na cobertura do hist&amp;oacute;rico conflito militar americano, a Associated Press utilizou pela primeira vez a tecnologia do tel&amp;eacute;grafo em coberturas jornal&amp;iacute;sticas, para dar rapidez e alcance &amp;agrave; transmiss&amp;atilde;o das informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Mas o equipamento, de inven&amp;ccedil;&amp;atilde;o recente, nem sempre funcionava a contento. Com freq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncia picotava a transmiss&amp;atilde;o, criando vazios que prejudicavam o notici&amp;aacute;rio. Ent&amp;atilde;o, o comando da AP em Nova York passou aos rep&amp;oacute;rteres do front a ordem de abrir as not&amp;iacute;cias sempre pelo mais importante. E assim se criou no jornalismo uma nova forma de redigir not&amp;iacute;cia, a chamada pir&amp;acirc;mide invertida, logo universalizada pelas ag&amp;ecirc;ncias noticiosas internacionais, que ent&amp;atilde;o&amp;nbsp;sa&amp;iacute;am da adolesc&amp;ecirc;ncia. 

Mas a tua consulta, S&amp;iacute;lvia, est&amp;aacute; marcada por um toque de&amp;nbsp; inusitado, a palavra &amp;ldquo;jargosa&amp;rdquo;, que os dicion&amp;aacute;rios da l&amp;iacute;ngua portuguesa n&amp;atilde;o registram. Como n&amp;atilde;o me parece que haja a&amp;iacute; erro de digita&amp;ccedil;&amp;atilde;o, seduz-me a hip&amp;oacute;tese de se tratar de um neologismo de interessante criatividade sem&amp;acirc;ntica. Gostei da palavra, S&amp;iacute;lvia, embora n&amp;atilde;o saiba que significa&amp;ccedil;&amp;atilde;o preponderante tu lhe atribuis. Quando assim &amp;eacute;, adoro assumir a liberdade de entender, a meu ver t&amp;atilde;o sagrada quanto a liberdade de dizer.

Pois para mim, S&amp;iacute;lvia, o que queres dizer e fazer com a palavra &amp;ldquo;jargosa&amp;rdquo; &amp;eacute; atribuir uma qualifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o jocosa &amp;agrave; mania acad&amp;ecirc;mica de usar as c&amp;ocirc;modas e quase sempre herm&amp;eacute;ticas simplifica&amp;ccedil;&amp;otilde;es do jarg&amp;atilde;o, mesmo quando se trata de dar explica&amp;ccedil;&amp;otilde;es sobre coisas que deveriam ser socialmente compreens&amp;iacute;veis. Como, por exemplo, a import&amp;acirc;ncia que a clareza das relev&amp;acirc;ncias tem no texto jornal&amp;iacute;stico, tanto para quem escreve quanto para quem l&amp;ecirc;. 

Por clareza das relev&amp;acirc;ncias entenda-se a virtude essencial que jamais deve faltar &amp;agrave; escrita jornal&amp;iacute;stica: a de dar evid&amp;ecirc;ncia compreens&amp;iacute;vel ao que &amp;eacute; relevante - isto &amp;eacute;, ao que mais importa, nos fatos relatados ou comentados. 

Temos de levar em conta, S&amp;iacute;lvia, que, sendo forma, a pir&amp;acirc;mide invertida refere-se &amp;agrave; estrutura externa do texto, n&amp;atilde;o ao seu conte&amp;uacute;do. E como forma, caracteriza-se pela coloca&amp;ccedil;&amp;atilde;o do &amp;aacute;pice na abertura do texto, cujo desenvolvimento se d&amp;aacute; por decrescendo de intensidade ou import&amp;acirc;ncia dos elementos do conte&amp;uacute;do, at&amp;eacute; que se esgotem. 

Essa &amp;eacute; uma forma eficaz de comunicar not&amp;iacute;cias a p&amp;uacute;blicos interessados &amp;ndash; e at&amp;eacute; as crian&amp;ccedil;as sabem disso, pois frequentemente gritam seus pleitos em forma de pir&amp;acirc;mide invertida. 

Mas nem sempre a efic&amp;aacute;cia leva aos caminhos da criatividade. No caso da pir&amp;acirc;mide invertida, por exemplo, de pouco ou nada adianta dizer que &amp;ldquo;a not&amp;iacute;cia deve come&amp;ccedil;ar pelo mais importante&amp;rdquo; se n&amp;atilde;o se ensinam e n&amp;atilde;o se&amp;nbsp; aprendem m&amp;eacute;todos e/ou crit&amp;eacute;rios para definir &amp;ldquo;o mais importante&amp;rdquo;. 

Posto isto, importa dizer-te, S&amp;iacute;lvia,&amp;nbsp;que tamb&amp;eacute;m no jornalismo online a pir&amp;acirc;mide invertida &amp;eacute; uma forma eficaz de noticiar. Usa-a sem medos. Mas sem jamais sacrificar a criatividade. E em favor da criatividade, n&amp;atilde;o te esque&amp;ccedil;as: quando &amp;ldquo;o mais importante&amp;rdquo; est&amp;aacute; lucidamente definido, e adquire for&amp;ccedil;a de &amp;aacute;pice narrativo, em torno do &amp;ldquo;mais importante&amp;rdquo; se ordenar&amp;aacute; o texto, esteja ele no come&amp;ccedil;o, no meio ou no final do relato.
&amp;nbsp; 
E aqui me despe&amp;ccedil;o, S&amp;iacute;lvia Marques,&amp;nbsp;fechando o postigo com agradecimentos pela consulta enviada. E com votos de sucesso na carreira jornal&amp;iacute;stica.

Grande abra&amp;ccedil;o!

Carlos Chaparro</description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=417</link>
	</item>
	<item>
		 <title>Crise histórica na Igreja Católica</title>
		  <pubDate>15/04/2010</pubDate>
		<description>Den&amp;uacute;ncias testam
habilidade da Igreja Cat&amp;oacute;lica 
com a crise
&amp;quot;Os especialistas em crises de imagem asseguram que nenhuma organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o est&amp;aacute; imune &amp;agrave; crise. A m&amp;aacute;xima serve como uma luva para uma das mais tradicionais institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es da hist&amp;oacute;ria, a Igreja Cat&amp;oacute;lica. Em dois mil anos, certamente enfrentou crises graves. Papas tiveram que fugir para outros pa&amp;iacute;ses. Seus dogmas foram questionados pela Reforma de Lutero, no s&amp;eacute;culo XVI. Sua trajet&amp;oacute;ria registra a p&amp;aacute;gina negra da inquisi&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Agora, a Igreja Cat&amp;oacute;lica se v&amp;ecirc; diante de uma avalanche de den&amp;uacute;ncias que n&amp;atilde;o poupam nem a figura, vista como intoc&amp;aacute;vel, do Sumo Pont&amp;iacute;fice, o Papa Bento XVI.&amp;quot;

Assim come&amp;ccedil;a o mais recente artigo do professor e jornalista Jo&amp;atilde;o Jos&amp;eacute; Forni (foto), especialista no estudo de situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de crise em institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es. No texto, ele contextualiza e analisa a complicada crise em que a Igreja Cat&amp;oacute;lica se deixou envolver e cuja evolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o vem sendo de progressivo agravamento. Olhando o caso pela sua significa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de crise institucional, o professor Forni conclui assim a sua an&amp;aacute;lise:

&amp;quot;At&amp;eacute; agora, a Igreja tergiversou. Ante a avalanche de den&amp;uacute;ncias, n&amp;atilde;o soube ou n&amp;atilde;o quis conduzir este assunto com a transpar&amp;ecirc;ncia, o rigor e disciplina que a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o exigia. O pacto para manter os delitos em segredo, favorecendo a impunidade, mostrou-se um erro hist&amp;oacute;rico, que ainda pode ser corrigido.&amp;quot;
</description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=416</link>
	</item>
	<item>
		 <title>Lula, formador de opinião</title>
		  <pubDate>31/03/2010</pubDate>
		<description>Lula, ele sim, 
&amp;eacute; o formador de opini&amp;atilde;o&amp;nbsp;
Se levado ao p&amp;eacute; da letra, est&amp;aacute; enganado o presidente Lula, quando, com insist&amp;ecirc;ncia quase di&amp;aacute;ria, aponta dedos acusadores para colunistas e editorialistas, por ele chamados de &amp;ldquo;formadores de opini&amp;atilde;o&amp;rdquo;. Em tom habitualmente popularesco, temperado de ironia por vezes agressiva, o presidente responsabiliza essa elite do jornalismo pelo espalhamento de um&amp;nbsp; ostensivo mau ajuizamento do governo, em geral, e do pr&amp;oacute;prio presidente, em particular.&amp;nbsp; 

Repito: se levada ingenuamente ao p&amp;eacute; da letra, essa ret&amp;oacute;rica esperta do pol&amp;iacute;tico Lula est&amp;aacute; equivocada e tenta induzir ao equ&amp;iacute;voco o pov&amp;atilde;o eleitor. E direi como e porqu&amp;ecirc;.</description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=415</link>
	</item>
	<item>
		 <title>A nova cara do ESTADÃO</title>
		  <pubDate>22/03/2010</pubDate>
		<description>Pequeno ensaio 
de cr&amp;iacute;tica &amp;agrave; reforma 
gr&amp;aacute;fica do Estad&amp;atilde;o
O Estado de S. Paulo est&amp;aacute;, sim, um jornal mais bonito, visualmente mais atrativo, capaz de ativar em quem o compra a sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de ter em m&amp;atilde;os &amp;ldquo;um jornal de texto&amp;rdquo;. Mas leitor de jornal n&amp;atilde;o pode ser tratado como cliente comprador a seduzir, e sim como sujeito interlocutor. E das intera&amp;ccedil;&amp;otilde;es com o leitor-interlocutor a reforma gr&amp;aacute;fica do&amp;nbsp; Estad&amp;atilde;o cuida&amp;nbsp;mal. Porque, em freq&amp;uuml;entes momentos, em vez de estimular, cria obst&amp;aacute;culos &amp;agrave; decis&amp;atilde;o de ler. </description>
		<link>http://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=414</link>
	</item>
	</channel>
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