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| 24/05/2010 |
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Texto de
Carlos Chaparro
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Hora de investir
em gerenciamento
preventivo de crises
Jamais tanto se falou e escreveu sobre crise. E por ser hoje o tema mais universalizado, até eu decidi meter no assunto a minha pequena e não especializada colher.
E começo por dizer algo que certamente não é novo – até porque há já alguns anos repito a frase por aí: neste nosso mundo informacional e globalizado, as crises não podem mais ser atribuídas à falta de transparência, hoje “virtude” inevitável, mas à falta de coerência entre o discurso e a ação, entre os valores de marca “vendidos” ao mundo e a ausência deles nas formas institucionais de agir.
Estou convencido de que, quando e onde as crises irrompem, revelam-se precariedades de uma identidade institucional mal traçada ou mal cuidada. E sem identidade bem definida, bem cultivada, bem irradiada, sedimentada em valores conhecidos e assumidos, não há como elaborar critérios de coerência para as interações com o mundo circundante.
Nesse quadro, as crises são simples decorrência. E, quase sempre, merecido castigo para quem zela mal pela identidade da empresa ou instituição a que serve ou representa.
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O que de mais importante aconteceu, nos últimos anos, às áreas e aos profissionais de comunicação, dentro das organizações, foi conquista de assento nas mesas e salas do poder estratégico. Trata-se de um processo novo de modernização de conceitos e modelos gerenciais, ainda em fase de disseminação, e que teve na Rhodia, em 1985, com pioneiro Walter Nori, a primeira grande experiência bem sucedida. Depois, em outras grandes empresas e organizações, a experiência da Rhodia se multiplicou e sofisticou, sob o rótulo de comunicação corporativa.
Nessa evolução, a Comunicação, como área especializada, segmentada e ao mesmo tempo integrada em várias em vertentes disciplinares, levou aos espaços do poder estratégico um saber que aumentou, sem dúvida, a lucidez diretiva e gerencial, em empresas e instituições de vários portes. E uma das vertentes em que a Comunicação dita e reina é a o do gerenciamento de crises.
O gerenciamento de crises virou uma espécie de galinha de ovos de ouro, no campo da comunicação institucional e organizacional. E isso porque “crises” se tornaram produto inevitável, e de generosa frequência, neste mundo globalizado por tecnologias, redes, culturas, táticas e estratégicas de informação. Os casos citáveis são numerosos, sucessivos, o mais recente deles, o caso dos padres pedófilos, que atingiu a Igreja Católica com vigor destrutivo de cataclismo.
Para alegria dos segmentos profissionais do ramo “gerenciamento de crises” (hoje com gente de reconhecida qualificação), e tristeza dos executivos sobre os quais desabam as tempestades que podem devastar marcas, imagem e lucros, o enfrentamento de crises constitui um mercado especializado em expansão, para o qual, quando surgem os problemas, jamais falta verba. E no qual aumenta a oferta de profissionais e agências que desenvolveram competência específica nessa área especializada da comunicação empresarial e institucional.
Penso, porém, que essa é uma especialização por enquanto mais solicitada e mais empenhada no alívio dos sintomas do que no tratamento das causas.
A freqüência e a gravidade das crises já justificariam investimentos e qualificações maiores em cuidados preventivos. E arrisco colocar aqui uma pitada de análise que espero possa interessar aos especialistas do ramo.
E a tentativa de análise que faço pode ser resumida em dois parágrafos:
1) Estou convencido de que, quando e onde as crises irrompem, na origem está um problema não de transparência, mas de coerência - ou melhor, de incoerência - a revelar precariedades de uma identidade institucional mal traçada ou mal cuidada.
2) Sem identidade bem definida, bem cultivada, bem irradiada, sedimentada em valores conhecidos e assumidos, não há como elaborar critérios de coerência para as interações com o mundo circundante.
Nesse quadro, as crises são simples decorrência. E, quase sempre, merecido castigo para quem zela mal pela identidade das empresas ou instituições atingidas.
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| Comentário por
Rosângela Maria Pessanha de Souza
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| Professor Chaparro, o senhor diz tão bonito que até a gente mesmo acaba ouvindo o que precisava ser ouvido. Neste afoito anseio de ver a verdade logo, podemos mesmo prejudicar terceiros. Tenho muito o que aprender e quero aprender. Como quero! Que bom, professor Chaparro, ter um professor que fala a verdade com a disciplina necessária mas recheiada de respeito. Quanta delicadeza! Preciso aprender esta parte pois Jesus gosta muito disso. Obrigada pela varinha condutora...( condutora do caminho melhor.) Que o Brasil "aprendamos".
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| Comentário por
Rosângela Maria Pessanha de Souza
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| Crisis... crisis... crisis...É isso mesmo professor Chaparro! Ah, se eu soubesse dizer tão bonito como o senhor! Ah, se eu soubesse. Quem sabe eles me ouviriam.
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