11/01/2010
Nos garis, todos fomos ofendidos
Texto de Carlos Chaparro

“Não esperava que a mente
de Boris Casoy fosse capaz de comandar
tão repugnante ato de fala”

Esta será uma crônica triste, sobre um escândalo inesperado, que fez mal ao Brasil e ao jornalismo.

O ápice do escândalo já passou. Ainda assim, faço questão de comentar aqui o surpreendente disparate saído da boca (portanto, da mente) de Boris Casoy, na noite da passagem do ano. Com uma frase eticamente inaceitável, dita num dos intervalos do Jornal da Band, ele ofendeu grosseiramente os garis, dignos e sacrificados trabalhadores da limpeza pública, profissionais tão dignos quanto Boris. E, mais do que ele, indispensáveis à sobrevivência urbana.

Agora, à distância de duas semanas, convém lembrar as coisas tal como se passaram, para que serenamente possamos avaliar o grau e o absurdo do disparate dito. Um dos blocos do noticiário encerrara-se com mensagem festiva em que dois garis saudavam a população com votos de feliz ano novo. Logo em seguida, já no intervalo, um vazamento de áudio colocou no ar a frase do deboche, na voz inconfundível do apresentador: “Que merda! Dois lixeiros desejando felicidades do alto de suas vassouras. Dois lixeiros... O mais baixo da escala de trabalho”.

Para Boris Casoy e a Band, o vazamento foi certamente uma infelicidade. Mas aos telespectadores da emissora, particularmente os que lhe dão audiência por causa do apreço pelo apresentador, o impacto causado foi o da destruição de uma referência jornalística em que se acreditava.

A ofensa aos garis atinge a todos nós, cidadãos democratas, por ter vindo de um jornalista e de um ambiente, o jornalismo, que têm para com a sociedade o compromisso de zelar pelos avanços civilizacionais – um deles, a convicção política e culturalmente estabelecida de que “todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão  e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.” (Artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos). 

Esta é, pois, uma crônica triste, melancólica. Porque, embora divergindo das visões de mundo de Boris Casoy, admirava-o como profissional. E não esperava que a sua mente fosse capaz de comandar tão repugnante ato de fala.


_________

 * Leia outras crônicas nesta coluna.

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Comentários (1):
Comentário por William
Li dia desses que a má conversa, por nascer de nossos vícios, demonstra quanto ainda precisamos educar nossos instintos.
Fiquei igualmente indignado e mesmo repercuti nas redes sociais que experimento (Twitter e Meme).
Pior que isso foi saber que o Casoy foi integrante do Comando de Caça aos Comunistas [CCC]. Minha indignação associou-se aí a uma repugnância, pois este senhor parece ter posado de bom moço por muito tempo, deixando escapar o que ainda tinha em suas entranhas autoritárias.
Todos aprendemos que errar faz parte do processo de evolução, e melhorar é o exemplo que dignifica os que efetivamente querem mudar.
Casoy mostrou que ainda possui lodo e preconceito em seu registro mental,esboçados em bastidores fechados —tal como os da ditadura— que por vezes são arejado por "falhas técinas".
Ainda bem que existem pessoas e canais que se abrem para mostrar as pessoas indignadas com os vícios praticados diariamente por mal profissionais. No caso de Casoy, uma ironia, pois o mesmo denunciava issopor meio de seu tradicional slogan "Isso é uma vergonha".
Curiosamente, sua memória incauta, traiu-o demonstrando que no ele mesmo é em si a própria vergonha. Casoy apostou nos canais fechados da TV e traiu-se publicamente. Não acredito mais neste senhor!
Para ver foto de Casoy no CCC, ver postagem em: http://meme.yahoo.com/willweb/p/WwBWN98/
 
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