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Cortes e Recortes

  • Um equívoco chamado imparcialidade

    Publicado por Carlos Chaparro em 23 de fevereiro de 2018

    Certa vez, já lá se vão alguns anos, ao gravar depoimento para um vídeo sobre comunicação institucional, quase escandalizei os entrevistadores ao rejeitar a crença generalizada de que o jornalismo deve ser imparcial.

     

    Olhos esbugalhados, exclamaram eles: “Como?!”

     

    Tive de me esforçar para sustentar uma outra crença, menos generalizada, mas que é a minha: a palavra-chave da confiabilidade do jornalismo não é imparcialidade, mas independência, sem a qual é impossível fazer jornalismo crítico e honesto. E lá comecei a demonstrar, ou pelo menos o tentei, como os sabotadores e os aproveitadores da credibilidade jornalística se empenham em minar a independência de redações e jornalistas, com artifícios malandros que freqüentemente glorificam a imparcialidade.

     

    Por independência se entende a capacidade de se ser livre de qualquer dependência. E resistente a qualquer sujeição, salvo as impostas pelos compromissos e valores éticos que organizam os ideários da sociedade a que se serve.

     

    A imparcialidade é a virtude que dá, a quem a possui, a capacidade de olhar e avaliar desapaixonadamente, com neutralidade, os fatos e as ações dos respectivos intervenientes. Trata-se de virtude talvez importante para algumas profissões e circunstâncias, até por implicar uma certa noção do que é justo e reto. Mas é também a virtude de quem não toma partido em conflitos, submisso, portanto, ao que pode ser entendido como o dever da indiferença.

     

    Se a objetividade, como tantos querem, fosse no jornalismo uma estratégia possível, ou mesmo desejável, a imparcialidade seria, sem dúvida, virtude essencial. A meu entender, porém, a objetividade não faz parte do método jornalístico. O que integra o método jornalístico é a precisão, tão importante no observar e no registrar da materialidade dos fatos, quanto na escolha subjetiva de critérios e razões para as depurações narrativas.

     

    Além do mais, como ser imparcial diante da fome, do desemprego, do desamparo social, do analfabetismo, da roubalheira, do uso abusivo das benesses do poder, dos conceitos e preconceitos que esmagam minorias e excluídos?

     

    De pouco serve, pois, essa virtude a um ofício, o jornalismo, inexoravelmente submetido à obrigação discursiva de recortar, valorar, mostrar e exaltar o mais relevante no acontecido – e ao mais relevante se chega pela subjetividade de escolhas e ajuizamentos de quem exerce o ofício em função das razões éticas que lhe cão dignidade. Nnão pelas ruelas simétricas e frias da objetividade imparcial.

  • CRISE NA METODISTA – SP

    Publicado por Carlos Chaparro em 29 de janeiro de 2018

    CARTA ABERTA
    dos ex-docentes
    do POSCOM-Metodista
    à Comunidade Acadêmica

     

    “Estão sendo impostas graves dificuldades financeiras aos docentes descartados pela Metodista, algo inconcebível diante da história dessa instituição e de tudo que ela representa no contexto educacional do nosso país.”

     

    O tratamento de quase “capitalismo selvagem”. de que vêm sendo vítimas os 50 professores há cerca de dois meses demitidos pela Universidade Metodista de São Paulo, exige persistência nas manifestações de solidariedade do meio acadêmico aos colegas desempregados. E para que a injustiça praticada e o desatino administrativo que a causou não caiam no esquecimento, chamo a atenção para a Carta Aberta dos ex-docentes do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Metodista, recentemente divulgada, da qual publico, abaixo, parte do seu trecho inicial, com link para a íntegra da Carta. No documento, os docentes demitidos expressam a amargura, o desamparo, o desencanto e a sua indignação pelo ofensivo tratamento recebido.

     

    ***

    “Nós, agora ex-docentes do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Metodista, além de termos que viver esta situação, testemunhamos a destruição de um projeto do qual celebraríamos 40 anos neste 2018. Por isso, dirigimo-nos aos nossos colegas, demitidos e não demitidos da Metodista, àqueles vinculados a outras instituições, e aos nossos alunos/orientandos, que foram submetidos às terríveis consequências de todo este processo, para compartilhar a decisão de não reivindicarmos nossa reintegração.”

    ===============

    (Leia a íntegra da Carta Aberta – http://oxisdaquestao.com.br/wp-content/uploads/2018/01/Carta-aberta-soa-docentes-demitidos.pdf)

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