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Cortes e Recortes

  • DIREITA X ESQUERDA

    Publicado por Carlos Chaparro em 4 de janeiro de 2017

    É hora de enterrar
    a caquética dicotomia que emburrece
    a discussão política

    _________________________________

    Texto de CARLOS CHAPARRO

     

     

    Quanto mais olho e tento entender as aceleradas mutações nas estruturas e nas relações sociais que movem o mundo globalizado de hoje, mais me convenço de que, corroída pela velhice de quase dois séculos e meio,  ficou decadente, superada e reacionária essa rotulagem de  “esquerda” e “direita”, que alguns insistem em usar para classificar e dividir escolhas ideológicas e de militância.

    Rotulagem velha e superada, sim, e não apenas pela derrubada dos muitos muros que, depois da Assembleia dos Estados Gerais, em 1789 (onde e quando teve origem o paradigma), já dividiram territórios e espaços de poder, inclusive nas fronteiras burras que hierarquizavam áreas do conhecimento. Velha e superada também porque, pelo menos nos extremos radicais dessas manifestações encarquilhadas, onde elas existem, os modos esquerdista e direitista de exercer o poder assemelham-se em métodos, fundamentos e hipocrisias.

    À guisa de ilustração, permitam-me algumas perguntas:

    – A burocraticamente implacável censura salazarista e a policialesca censura cubana ou chinesa exatamente iguais em justificativas e formas, devem ser consideradas abusos de poder da direita ou da esquerda?

    – A prisão ilegal e o assassinato de adversários políticos, que continuam a ocorrer em países ditatoriais de vários matizes ideológicos, são procedimentos de esquerda ou de direita?

    – A corrupção, o mensalão e o petrolão são ladroeiras da esquerda ou da direita?

    – A honestidade política, se existe e onde existe, é virtude exclusiva da esquerda ou da direita?

    – E a fraude eleitoral, a manipulação de informações e consciências, a mentira dos discursos partidários, a propaganda enganosa paga com dinheiro público – são práticas de esquerda ou direita?

    – A doutrina dos direitos humanos, de acordo com a qual todas as pessoas são individualmente dignas e livres desde o nascimento, é avanço civilizacional da esquerda ou da direita?

    – E a civilização, como produto da cultura, é um bem da direita ou da esquerda?

    As perguntas ficam aí, para as respostas que cada um e cada uma queiram encontrar na verdade da consciência e na lucidez da inteligência. Penso, porém, que já passou da hora de substituir essa bobagem de classificar e organizar em guetos de direita e esquerda as ideias e escolhas do agir humano. Afinal, a experiência humana de viver já nos deu uma tábua de valores universais, dentro da qual podem e devem caber todas  as diferenças e divergências.

    A coerência ética da Declaração Universal dos Direitos Humanos assenta em nove valores:  Paz ,   Justiça,    Igualdade,    Liberdade,    Fraternidade,  Dignidade,    Solidariedade ,     Democracia    e  Proteção  Legal dos Direitos.

    A partir desses valores, e em função deles, é possível  conceber e materializar modelos justos, éticos, humanistas, de governar e ser governado.

    Até as segmentações religiosas cabem aí. Porque, como o papa Francisco já disse, Deus não é católico. E eu acrescento: nem evangélico. Nem judaísta. Nem islamita.

     

  • CONFLITO BOM TEM TRÊS LADOS

    Publicado por Carlos Chaparro em 6 de dezembro de 2016

     

    Com seus ideários e valores, a sociedade
    é parte inevitável dos conflitos
    que interessam
    à democracia e ao jornalismo.
    Está nela o lado dos conflitos que
    deve funcionar como fonte
    de critérios para a notícia
    e para as razões do agir jornalístico.

     

     

     

    Nas andanças de professor, é comum envolver-me em debates com colegas menos otimistas, que enxergam no jornalismo de hoje desgraças mil, sem solução. Embora nem sempre citado, um dos motivos que levam esses colegas ao cepticismo é exatamente o poder de interferência das fontes nos processos jornalísticos, e isso nos tolhe de perplexidade. Atribui-se a esse poder das fontes, e à competência com que agendam as redações, uma angustiante pasteurização de texto e atitudes que estaria levando o jornalismo para omissões prejudiciais à democracia.

    Antigamente as coisas não eram assim, dizem os colegas saudosos, como se antigamente a sociedade fosse mais bem informada.

    Não consigo enxergar as coisas desse modo. Quanto mais comparo jornais de épocas diferentes, mais me convenço de que não há razões para saudosismos. Do mesmo modo, não vislumbro razões para ter saudades das democracias (com ou sem aspas) de antigamente.

     


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