Sem boa difusão não há notícia nem efeitos transformadores
Contarei hoje uma história que desvenda bastidores de uma reportagem. Mas que, na raiz, tem a ver com Difusão, conceito tão valioso quanto pouco discutido, nas teorias do jornalismo
Falemos, pois, de Difusão.
Eis aí uma palavrinha, emprestada da Física, raramente usada quando se fala de comunicação, mas sem a qual o jornalismo não se concretiza, nem como processo nem como fenômeno. Sem difusão, a notícia não circula ainda que esteja redigida e impressa, ou com imagens editadas. (Leia a ÍNTEGRA)
No jornalismo, como no teatro, sem interlocução não há sucesso
Com um intervalo de três meses, assisti à estreia e ao espetáculo de encerramento da temporada dessa peça. Na comparação entre os dois momentos, pude observar o crescendo artístico e dramático de Maria Miss. E refletir sobre as lições que o sucesso da “fala” teatral tem a oferecer às dificuldades interlocutórias do jornalismo impresso. LEIA MAIS
Com Matilde, Haddad balança em oscilações entre O NOVO e O VELHO
* (10 de Janeiro/2013)
Uma no cravo, outra na ferradura
Escrevo mais um texto sobre Fernando Haddad, desta vez para lamentar a colocação da ex-ministra Matilde Ribeiro no cargo de subsecretária adjunta da Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial,. Mas também para elogiar a decisão tomada pelo prefeito, de entregar o comando das subprefeituras (administrações regionais) a líderes comunitários residentes nas respectivas regiões.
Não consigo imaginar que poderes e responsabilidades caibam a uma subsecretária, ainda por cima adjunta, na hierarquia de uma secretaria municipal. Mas, de antemão, e no exercício do meu direito de atribuir significado às coisas, entendo que denominação tão comprida, anunciando subalternidade tão pomposa, significa mais “emprego” do que “função”. (Sobre o assunto, LEIA MAIS)
* Texto de Carlos Chaparro
Sobre Joelmir Beting (texto final)
O jornalismo como arte e dever
social de interlocução inteligente
A persistente busca do aperfeiçoamento determinava as práticas de um jornalismo elucidativo e humanista, orientado para uma interlocução social preocupada com a explicação inteligente. Para a construção de uma sociedade crítica.
Joelmir Beting: estudo, criatividade e trabalho, a estratégia do sucesso
Das oportunidades iniciais (surgidas até do acaso) aos ápices da glória construída, o sucesso profissional de Joelmir Beting cresceu em etapas, com as variáveis constantes da ousadia estilística, da criatividade, do estudo rigoroso e do trabalho bem feito.
Com Joelmir Beting, o jornalismo brasileiro aprendeu a socializar conhecimento
Demorei quase cindo dias para escrever sobre a morte de Joelmir Beting porque decidi deixar para mim, no espaço íntimo das lembranças, das orações e das saudades, o Joelmir de quem há 45 anos sou amigo. Aqui, neste espaço de reflexões e debates sobre jornalismo e atualidade, devo escrever, sim, mas sobre o mais criativo socializador de conhecimento que o jornalismo brasileiro já teve.
Amanhã, neste espaço, terá inicio a série de cinco textos, com a qual se mostrará como a vida e a obra de Joelmir Beting enriqueceram extraordinariamente o jornalismo brasileiro – com valores e saberes que as gerações herdeiras multiplicarão.
Dois mundos nos silêncios de Marvão
DE MARVÃO, PORTUGAL – Gosto de Marvão e do seu colar de aldeias brancas. Aqui, no mais bonito e histórico recorte geográfico do Alto Alentejo, sinto-me cada vez mais distante do mundo de onde fugi.
Pelo menos assim parece, quando cerro os olhos e conecto os ouvidos...
(,,,) Ainda ficarei em Marvão por mais algum tempo, duas semanas talvez, mergulhado na viagem ao meu passado onomástico. Porém, retornar será preciso, às lutas da grande cidade.
Lutas pelo tudo. Lutas pelo nada. Mas lutas.
Em Portugal, o povo assusta os comandantes da engenharia da crise
Existe um medo novo em Portugal: o medo político dos governantes. Sim, eles estão com medo. Pois ao olhar de baixo as muralhas inexpugnáveis de Marvão, erguidas na crista rochosa da serra, pensei ontem à tarde que ali estaria um bom esconderijo para os atuais governantes de Portugal, inquestionavelmente assustados com a grandiosidade das recentes manifestações de rua.Que continuam.
Em Portugal, um duro e triste recorte da crise europeia
Uma boa síntese portuguesa da crise europeia capta-se no sentimento de medo que transparece em expressões e falas, especialmente nas pessoas (muitas!) já desempregadas e mesmo naquelas que ainda dependem do próprio trabalho para sobreviver.
É o medo da fome, da insegurança social, da perda do que se tem. Medo do futuro sem esperança – principalmente este, porque potencializado pela descrença em coisas tão essenciais quando a democracia, a justiça e a própria capacidade de viver com dignidade.
A honestidade como dever maior
Os tempos são de descoberta de assombrosas histórias de corrupção e violência. O ambiente urbano, de medos objetivos e subjetivos, quando olhamos os sinais do desemprego, da fome, e de exclusões que parecem insuperáveis. E porque notícia e realidade caminham de mãos dadas, uma puxando pela outra, os jornalistas bem que precisariam refletir sobre as responsabilidades muito particulares que lhes cabem, na experimentação diária da democracia.