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| 28/06/2009 |
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Um bem público
chamado Audálio Dantas
É uma honra, caro amigo Audálio Dantas, poder abrir este Postigo para uma conversa descontraída com você. Assunto não faltará, não é mesmo? – mas o escolhido talvez nem lhe agrade tanto quanto a mim: o mistério da sua idade.
Quem soltou esse coelho na labiríntica “rede dos amigos do Audálio” foi o maroto do Ricardo Kotscho, que em seu “Balaio” resolveu perguntar ao universo infinito da Internet algo que aparentemente só interessaria a você: “Afinal, quantos anos vai fazer o Audálio Dantas?”
Como se sabe, o Balaio do Kotscho é o blog no qual e com o qual ele de vez em quando provoca o mundo. Às vezes para se divertir, outras, para nos informar e advertir. Em ambos os casos, sempre dando a sua pitada de contribuição para nos aguçar o senso crítico de cidadãos.
Foi o que fez, quando tentou desvendar o mistério da sua idade, Audálio. A verdade, porém, amigo, é que essa é uma questão menor - e lhe digo por quê: porque, pelo muito que cavou, plantou, colheu e distribuiu, você deve ser considerado e tratado como bem público.
Nessa dimensão de bem público, a quantidade dos anos já vividos não passa de insignificante pormenor. Essa não é medida que se use para avaliar o mérito humano de um cidadão que dedica a sua vida, não importa há quantas décadas, às causas sempre inacabadas da Justiça, da Liberdade, da Dignidade Humana, da Dignidade do Trabalho e do Patriotismo. E o fez, e o faz, com arma da palavra, usada sempre com invejável arte e serena coragem, nas muitas lutas em que tem pelejado e continua a pelejar – como jornalista, escritor, líder sindical, político idealista e cidadão exemplar.
Quanto à idade, sabe-se que, no dizer duvidoso dos papéis oficiais, Audálio Dantas nasceu em Tanque D’Arca aos oito de Julho de 1929. Estaria, portanto, na beirada dos oitenta anos. Mas nem Audálio confirma isso. Na explicação encaminhada ao Balaio do Kotscho, ele nos conta uma história segundo a qual, por conveniências várias, lhe aumentaram três anos na idade quando, aos sete anos, foi formalmente registrado.
"Assim, meu caro”, escreveu você ao Kotscho, “tenho duas idades, a oficial, no papel, e a verdadeira, mas que só consta na tradição, familiar”.
Em resumo, segundo você: festa dos oitenta anos, a verdadeira, só em 2012.
Pois eu acho, Audálio, que não dá para desprezar a força ritualística das datas oficiais. Os ritos, como você sabe, organizam as convicções e os comportamentos das pessoas. Servem, até, para moldar crenças nos espaços da cultura humana e das relações sociais.
Por isso, caro amigo, embalado pelo vigor ritual da verdade oficial, aqui lhe deixo o meu antecipado abraço de parabéns pelo seu octogésimo aniversário. Mas saudando, ao mesmo tempo, o viço bem conservado dos 77 anos.
Como presente, mais meu do que seu, um projeto que espero poder concretizar em breve: trazê-lo aqui em casa, com a sua Vanira, para um serão de boa e bem nutrida conversa, em pequena roda de amigos comuns.
Entretanto, muito obrigado pela amizade e pelo muito que já me ensinou.
Carlos Chaparro
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| 28/06/2009 |
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Texto de
Carlos Chaparro
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De como a Ciência
pode ajudar o Jornalismo
A ciência só se afirma quando pode ser acreditada. Por isso é sistemática, metodológica, produz conhecimentos verificáveis. O jornalismo, tal como a ciência, também depende da credibilidade. Por isso deveria ter método e assumir procedimentos científicos.
* (Texto postado no blog dois anos atrás. Mas que volta à página principal, em busca de novos leitores, nas redações e nos cursos de jornalismo, no momento em que, sem a proteção da obrigatoriedade do diploma, o Jornalismo e o Ensino do Jornalismo precisam investir na busca e na defesa da qualidade.)
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