21/07/2010
Recorte do Dia
Texto de Carlos Chaparro

DESTAQUE

Antes do vestibular, não deixe de ler, no "Postigo do Diálogo", a conversa com a estudante Giovanna Melo, sobre a seguinte questão: Vale a pena escolher Jornalismo?

 =========================================

Jornalismo tem o dever 
de elevar o nível
do debate eleitoral

No “Recorte” anterior (ver na pasta “Recorte do Dia”), postado dia 19, a idéia do texto era a mesma, mas o título direcionava a crítica diretamente à Folha de S. Paulo. Na edição daquele dia, o jornal dos Frias (e o dos Mesquitas frequenta a mesma trilha...) concedera a manchete da primeira página  a uma frase de efeito dita pelo presidente do PT, dessas que chefes e chefetes das campanhas partidárias disparam por aí, para alimentar aquilo a que chamo de “vertente latrinária do debate eleitoral”. E que a Folha tratou como o principal assunto do dia.

Escrevi, ao encerrar o comentário do dia 19:

Ao optarem pela mediocridade latrinária do debate eleitoral, os editores da primeira página da Folha agregaram a essa vertente a sua própria mediocridade jornalística. Sempre que agem assim, levam o jornal a renunciar à grandeza da contribuição que o jornalismo sério, ético, deveria dar ao aperfeiçoamento democrático, no momento em que o grande tema nacional é o do processo eleitoral pelo qual a Nação escolherá quem a governará nos próximos quatros anos.
Das duas uma: ou a direção da
Folha de S. Paulo muda os critérios com que trata as escolhas editoriais da sua primeira página, ou elimina o lema “UM JORNAL A SERVIÇO DO BRASIL”, que no alto da capa aparece colado ao seu logotipo.


Não tenho, jamais terei, a pretensão de ser lido por quem dá as ordens na Folha de S. Paulo. Mas, por outras vias e decorrências, a Folha parece ter sido motivada (e o Estadão também) à revisão de critérios na cobertura que fazia às eleições. Emite sinais disso na primeira página da edição de hoje (quarta-feira). É uma capa (síntese da edição) que anuncia afastamento radical da tal vertente latrinária pela qual escorre a mediocridade política das frases de efeito, sopradas a jornalistas por chefes e chefetes partidários – tão medíocres quanto o jogo marqueteiro da intriga que adoram fazer.

Nos tempos atuais, as frases da intriga política correm principalmente pela difusão fácil do TWITTER, que virou fonte da qual os pauteiros da política não desgrudam.

O que não poderia nem deveria acontecer é a adesão preguiçosa e oportunista do jornalismo à baixaria e à mediocridade desse jogo. Pois é isso que as redações fazem, quando simplesmente acolhem e espalham, sem qualquer valoração crítica, a intriga política nutrida pela mediocridade dos chefes e chefetes das campanhas partidárias. 

E já que das campanhas partidárias quase nada brota além da baixaria e da vulgaridade, é urgente que a cobertura jornalística da campanha eleve o nível da discussão eleitoral.

Em favor disso, recomendo a leitura do jornalista e consultor Gaudêncio Torquato, que semanalmente assina a coluna “Porandubas”, no site Migalhas. Esta semana, na crítica que faz à indigência dos conteúdos partidários desta campanha, escreve Torquato (pequeno trecho que faço questão de transcrever):

"A essa altura, não se distinguem os grandes eixos temáticos da campanha. Os candidatos falam de tudo e de todos, mas as ideias centrais parecem escamoteadas. Quais os cinco pontos principais defendidos, por exemplo, por Serra e por Dilma? Quais os aspectos semelhantes? Quais as ênfases na área econômica e na fronteira social? Estamos a contemplar uma parede de mosaicos, onde cada mosaico, ao lado do outro, tem uma cor diferente. Não sabemos qual a parte mais importante da parede, o lado que chama mais a atenção."

Eis aí, na síntese de três perguntas, um ótimo ponto de partida para pautas jornalísticas que poderiam efetivamente contribuir para elevar o nível da  discussão eleitoral de melhor nível e da elucidação crítica dos eleitores.


_________________________________________

* Leia os “Recortes” anteriores
(1) comentário (s)   |   Envie o link para um amigo (a)
Mais:
Postigo do Diálogo
 Giovanna pergunta: vale a pena ser jornalista?
Giovanna está preocupada com o sucesso pessoal na profissão e com a possibilidade de nela alcançar estabilidade financeira. E eu lhe respondo: - Na sua idade, o que mais importa é definir um ideal que dê rumo ético à vida. Ganhar dinheiro e conquistar prestígio não devem ser objetivos prioritários. A estabilidade financeira e o sucesso virão, mas por decorrência da qualidade das suas escolhas e da sua entrega à profissão escolhida.
Pasta de textos
 Sedução das formas X Arte de escrever
Em especial no jornalismo impresso, o sucesso dos acordos com o leitor depende bastante da sedução das formas que dão revestimento visual às mensagens. Mas quanto mais poderosa a sedução visual, maior é exigência der qualidade no conteúdo. Por isso, a sedução das formas não pode nem deve inibir as artes da escrita.
O saber de quem faz
 Entrevista com Gaudêncio Torquato
O professor e consultor político Gaudêncio Torquato é um dos mais lúcidos analistas da cena política brasileira. No jornalismo, diferencia-se pela qualidade literária e argumentativa dos seus artigos, semanalmente publicados na página 2 do Estadão. Na entrevista, ele revela alguns dos seus segredos de articulista de sucesso.
Em jeito de crônica...
 Corrupção legal
As doações de dinheiro aos partidos políticos, feitas por empreiteiras interessadas em obras do governo, fazem parte do difuso universo da CORRUPÇÃO. Todos sabem disso. Mas “tudo é legal”, dizem os protagonistas usuários de tais dutos. O que nos leva ao consolo de sermos, acredito eu, campeões mundiais da corrupção legal!
De olho na Mídia e no Mundo
 Láurea internacional para Ricardo Viveiros
O jornalista e escritor Ricardo Viveiros conquistou o Prêmio Benjamín Hurtado Echeverria, instituído em 2001 pela Confederação Latino-americana da Indústria Gráfica (Conlatingraf) para homenagear personalidades e empresas que, além de uma trajetória bem-sucedida, têm forte participação na Comunicação gráfica no Continente.
12/09/2009
Momento Teórico
Texto de Carlos Chaparro

Curso de Jornalismo - Aula 16

Na tipologia, iniciação
a uma teoria das Fontes

* Acesse na "Pasta de Textos" a versão escrita da aulas sobre Fontes Jornalísticas.
(0) comentário (s)   |   Envie o link para um amigo (a)
© 2010 - oxisdaquestao.com.br - O blog do Prof. Chaparro - Mídia, Jornalismo e Atualidade.
 
 
Home
Professor Chaparro
Perfil
Objetivos do Projeto
Colunas
Recorte do Dia
Momento Teórico
Postigo do Diálogo
Pasta de textos
Em jeito de crônica...
O saber de quem faz
De olho na Mídia e no Mundo
Recomendações
* ATENÇÃO AOS TEXTOS DE J. J. FORNI SOBRE AS CRISES MAIS RECENTES nos conturbados cenários nacionais e internacionais.
* "MANIA DE HISTÓRIA", o blog de Luís Carlos da Silva Lins, que recomendo a quem gosta de olhar e entender o mundo pela visão contestadora.
* Etiqueta também é Comunicação. Por isso, vale a pena visitar o blog DIPLOMACIA COTIDIANA, de CRISTINA GiÁCOMO, doutora em Cerimonial.
* EXPERIMENTE SER MEU SEGUIDOR NO TWITTER.
* No BALAIO DO KOTSCHO você encontra o texto sempre claro e contundente de Ricardo Kotscho, em comentários (ou serão crônicas?) que aguçam o senso crítico de quem lê. Com atualizações diárias.
* O RIBATEJO - conheça o melhor modelo de jornalismo regional, em Portugal.
Mapa do Site
Contato
 




Repórteres do Futuro cobrem o 5º Congresso Internacional da Abraji, em São Paulo

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo começou nesta quinta-feira, 29, e a cobertura do evento, idealizada pela Abraji, está a cargo de uma equipe de  23 estudantes vinculados ao Projeto Repórter do Futuro. O grupo é orientado pela jornalista Luciana Kraemer e conta com a assistência de dois jornalistas recém-formados, Germano Assad e Leandro Melito.
"Todo o homem tem direito à liberdade de opinião e de expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras."
(Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos)